Olea Europea .
A oliveira é, com o sobreiro e a amendoeira, a árvore típica do clima mediterrâneo e tolera todos os tipos de solos, mesmo os pobres, só não suportando bem os solos calcários ou mal drenados (que acumulem muita água). Tal como a videira e os cereais, a oliveira é das plantas que está mais associada ao Homem, desde tempos milenares. O homem sempre tirou proveito dela, cultivando-a e limitando o aparecimento de plantas espontâneas competidoras. As azeitonas são muito apreciadas por alguns animais, nomeadamente pássaros (como por exemplo os tordos), raposas e coelhos, que delas se alimentam.
A madeira da oliveira é dura e compacta e tem veios muito finos pelo que se presta de forma notável para a marcenaria e escultura. As folhas também são usadas em chás medicinais e a lenha é boa para alimentação de lareiras. No entanto o principal produto da oliveira é a azeitona. Este fruto é utilizado para consumo, com ou sem caroço, necessitando de uma transformação com sais e oxidação em água para poder ser ingerido pelo homem. E claro, pode igualmente ser utilizado para extracção do azeite! Este é o valor por excelência da oliveira, com utilizações muito diversas e muito importantes em vários momentos da história, tanto na culinária, como para lamparinas para produção de luz (muito antes de existir electricidade!), utilizações medicinais, objecto de preparação dos mortos em certas culturas, utilização como cosmético ou relaxante, etc.
A oliveira parece ter a sua origem na Ásia Menor (actual Turquia), em tempos muito remotos (há indícios que apontam para o Paleolítico Superior). Certo mesmo é que em todo o Mediterrâneo foram encontradas folhas de oliveira fossilizadas, datadas do Paleolítico e do Neolítico e seja como for, no ano 3.000 a.C., já era cultivada por todo o "Crescente Fértil". Sabe-se também que já era cultura frequente no Egipto dos faraós, há mais de 4.000 anos. A sua difusão pela restante região mediterrânea (Norte de África, Médio Oriente e Europa), foi facilitada pelas invasões e trocas comerciais que sempre se deram nesta região, e que passaram pelas viagens e conquistas de fenícios, gregos e romanos, entre outros povos. Terá sido exactamente com as invasões romanas (e o seu consequente império, que abarcou toda a bacia mediterrânea), que esta cultura conheceu a sua maior difusão.
O papel da oliveira como produtora de azeite nas sociedades sempre foi importante. Aliás, o azeite, a par do vinho, do pão e do queijo, são dos produtos mais nobres da alimentação humana e que têm a eles associada mais história e cultura, pois a sua produção remonta a tempos imemoriais. O azeite é produzido desde há milhares de anos, como o atestam inúmeros documentos antigos que existem nas principais zonas de produção.
A civilização minóica, que floresceu na ilha de Creta até 1.500 a.C., prosperou com o comércio do azeite.
Cultivada no Antigo Egipto há mais de quatro mil anos, os egípcios da VII Dinastia designavam-na por Tat.
Os gregos já a cultivavam no tempo de Homero.
Na Síria e zonas adjacentes, cultiva-se desde o III milénio.
É famosa na Bíblia a Santa Unção, feita já com óleo de azeitona, para ungir os que são considerados eleitos de Deus.
O rei David faz guardar as suas oliveiras por intendentes especiais e os oásis líbios povoam-se desta árvore.
Já o seu filho e sucessor, o rei Salomão enviava azeite a Hirão I rei de Tiro, em troca de materiais e dos artesãos que destinava à construção do templo.
Também Josué e Zorobabel comercializavam azeite com as populações de Sídon e Tiro por troca de madeira dos cedros do Líbano.
Finalmente, recordemos o nome do local onde Jesus supostamente de retirou para rezar e foi preso antes da sua crucificação: Getsemani - Jardim das Oliveiras.
A oliveira, a sua cultura e o azeite assumem por vezes um carácter quase sagrado, e foi uma árvore venerada por diversos povos. Desde sempre, tem estado associada a práticas religiosas, a mitos e tradições, a manifestações artísticas e culturais, a usos medicinais e gastronómicos.
Na antiga Grécia, associava-se a oliveira à força e à vida e as mulheres, quando queriam engravidar passavam longos períodos de tempo à sua sombra. Da madeira das oliveiras faziam-se ceptros reais e com o azeite ungiam-se monarcas, sacerdotes e atletas. Com as folhas faziam-se grinaldas e coroas para os vencedores. Na lenda grega foi Palas Atenea, deusa da paz e sabedoria, filha de Zeus, quem fez brotar a oliveira de um golpe e ensinou o seu cultivo e o seu uso aos homens.
Para os romanos, foi a deusa Minerva quem ofereceu aos homens esta árvore, sob a qual teriam nascido Remo e Rómulo, descendentes dos deuses e fundadores de Roma. Para os egípcios é a deusa Ísis, mulher de Osiris, deus supremo quem oferece a oliveira aos homens. Trata-se também de uma das quatro árvores cardinais do Calendário Celta (juntamente com o carvalho, a bétula e o freixo). Até o Corão (texto sagrado dos muçulmanos) canta a árvore que nasce no monte Sinai e refere-se ao óleo que dela se extrai para ser transformado em luz de candeia "que parece um astro rutilante".
Finalmente, o ramo de oliveira é utilizado como símbolo cristão porque a Bíblia refere que a pomba enviada por Noé, aquando à deriva na Arca após o dilúvio, trouxe um ramo de oliveira como anunciador da misericórdia divina. Por sua vez, a oliveira e a pomba associadas, constituíram-se, no imaginário colectivo, como símbolos internacionais da paz.Em Portugal, a oliveira constitui-se desde sempre uma cultura importante inclusivé do ponto de vista económico, e o azeite figurava já por exemplo como troca comercial em 1266 no foral de Silves, e como sendo importante para o uso doméstico no foral de Vila Viçosa. No século XIII (!) as exportações de azeite eram já extremamente importantes para nós (actualmente menos, mas ainda assim o azeite é hoje ainda, por exemplo, o produto português mais exportado para o Brasil). A palavra portuguesa azeite vem contudo do árabe Az + zait e significa "sumo de azeitona", o que não é de espantar, pois os árabes promoveram grandemente a cultura desta árvore.
Uma nota para a longevidade das oliveiras, que é das maiores entre as árvores, ao ponto de se estimar que existam hoje oliveiras em Israel, no horto de Getsemani (o Jardim das Oliveiras), que já lá estavam aquando do tempo de Cristo (teriam portanto mais de 2.000 anos de idade!). A sua longevidade também lhe permite ter um período de produção máxima que ultrapassa em muito a vida de um homem (a sua maturidade produtiva é entre os seus 30 e 150 anos, feito de que poucas árvores de fruto se poderão gabar!).Neste momento está difundida por todo o Mundo sendo mesmo cultivada nas Américas, Africa do Sul, Japão e Austrália. Mas Espanha, Itália, Grécia e Portugal continuam responsáveis por cerca de 73% da produção mundial de azeite.
De resto, na Zona do Pinhal e no país em geral, todos nós conhecemos a importância desta árvore na nossa cultura e tradição, e todos nós nos lembramos, por exemplo de cantares como este:
A madeira da oliveira é dura e compacta e tem veios muito finos pelo que se presta de forma notável para a marcenaria e escultura. As folhas também são usadas em chás medicinais e a lenha é boa para alimentação de lareiras. No entanto o principal produto da oliveira é a azeitona. Este fruto é utilizado para consumo, com ou sem caroço, necessitando de uma transformação com sais e oxidação em água para poder ser ingerido pelo homem. E claro, pode igualmente ser utilizado para extracção do azeite! Este é o valor por excelência da oliveira, com utilizações muito diversas e muito importantes em vários momentos da história, tanto na culinária, como para lamparinas para produção de luz (muito antes de existir electricidade!), utilizações medicinais, objecto de preparação dos mortos em certas culturas, utilização como cosmético ou relaxante, etc.
A oliveira parece ter a sua origem na Ásia Menor (actual Turquia), em tempos muito remotos (há indícios que apontam para o Paleolítico Superior). Certo mesmo é que em todo o Mediterrâneo foram encontradas folhas de oliveira fossilizadas, datadas do Paleolítico e do Neolítico e seja como for, no ano 3.000 a.C., já era cultivada por todo o "Crescente Fértil". Sabe-se também que já era cultura frequente no Egipto dos faraós, há mais de 4.000 anos. A sua difusão pela restante região mediterrânea (Norte de África, Médio Oriente e Europa), foi facilitada pelas invasões e trocas comerciais que sempre se deram nesta região, e que passaram pelas viagens e conquistas de fenícios, gregos e romanos, entre outros povos. Terá sido exactamente com as invasões romanas (e o seu consequente império, que abarcou toda a bacia mediterrânea), que esta cultura conheceu a sua maior difusão.
O papel da oliveira como produtora de azeite nas sociedades sempre foi importante. Aliás, o azeite, a par do vinho, do pão e do queijo, são dos produtos mais nobres da alimentação humana e que têm a eles associada mais história e cultura, pois a sua produção remonta a tempos imemoriais. O azeite é produzido desde há milhares de anos, como o atestam inúmeros documentos antigos que existem nas principais zonas de produção.
A civilização minóica, que floresceu na ilha de Creta até 1.500 a.C., prosperou com o comércio do azeite.
Cultivada no Antigo Egipto há mais de quatro mil anos, os egípcios da VII Dinastia designavam-na por Tat.
Os gregos já a cultivavam no tempo de Homero.
Na Síria e zonas adjacentes, cultiva-se desde o III milénio.
É famosa na Bíblia a Santa Unção, feita já com óleo de azeitona, para ungir os que são considerados eleitos de Deus.
O rei David faz guardar as suas oliveiras por intendentes especiais e os oásis líbios povoam-se desta árvore.
Já o seu filho e sucessor, o rei Salomão enviava azeite a Hirão I rei de Tiro, em troca de materiais e dos artesãos que destinava à construção do templo.
Também Josué e Zorobabel comercializavam azeite com as populações de Sídon e Tiro por troca de madeira dos cedros do Líbano.
Finalmente, recordemos o nome do local onde Jesus supostamente de retirou para rezar e foi preso antes da sua crucificação: Getsemani - Jardim das Oliveiras.
A oliveira, a sua cultura e o azeite assumem por vezes um carácter quase sagrado, e foi uma árvore venerada por diversos povos. Desde sempre, tem estado associada a práticas religiosas, a mitos e tradições, a manifestações artísticas e culturais, a usos medicinais e gastronómicos.
Na antiga Grécia, associava-se a oliveira à força e à vida e as mulheres, quando queriam engravidar passavam longos períodos de tempo à sua sombra. Da madeira das oliveiras faziam-se ceptros reais e com o azeite ungiam-se monarcas, sacerdotes e atletas. Com as folhas faziam-se grinaldas e coroas para os vencedores. Na lenda grega foi Palas Atenea, deusa da paz e sabedoria, filha de Zeus, quem fez brotar a oliveira de um golpe e ensinou o seu cultivo e o seu uso aos homens.
Para os romanos, foi a deusa Minerva quem ofereceu aos homens esta árvore, sob a qual teriam nascido Remo e Rómulo, descendentes dos deuses e fundadores de Roma. Para os egípcios é a deusa Ísis, mulher de Osiris, deus supremo quem oferece a oliveira aos homens. Trata-se também de uma das quatro árvores cardinais do Calendário Celta (juntamente com o carvalho, a bétula e o freixo). Até o Corão (texto sagrado dos muçulmanos) canta a árvore que nasce no monte Sinai e refere-se ao óleo que dela se extrai para ser transformado em luz de candeia "que parece um astro rutilante".
Finalmente, o ramo de oliveira é utilizado como símbolo cristão porque a Bíblia refere que a pomba enviada por Noé, aquando à deriva na Arca após o dilúvio, trouxe um ramo de oliveira como anunciador da misericórdia divina. Por sua vez, a oliveira e a pomba associadas, constituíram-se, no imaginário colectivo, como símbolos internacionais da paz.Em Portugal, a oliveira constitui-se desde sempre uma cultura importante inclusivé do ponto de vista económico, e o azeite figurava já por exemplo como troca comercial em 1266 no foral de Silves, e como sendo importante para o uso doméstico no foral de Vila Viçosa. No século XIII (!) as exportações de azeite eram já extremamente importantes para nós (actualmente menos, mas ainda assim o azeite é hoje ainda, por exemplo, o produto português mais exportado para o Brasil). A palavra portuguesa azeite vem contudo do árabe Az + zait e significa "sumo de azeitona", o que não é de espantar, pois os árabes promoveram grandemente a cultura desta árvore.
Uma nota para a longevidade das oliveiras, que é das maiores entre as árvores, ao ponto de se estimar que existam hoje oliveiras em Israel, no horto de Getsemani (o Jardim das Oliveiras), que já lá estavam aquando do tempo de Cristo (teriam portanto mais de 2.000 anos de idade!). A sua longevidade também lhe permite ter um período de produção máxima que ultrapassa em muito a vida de um homem (a sua maturidade produtiva é entre os seus 30 e 150 anos, feito de que poucas árvores de fruto se poderão gabar!).Neste momento está difundida por todo o Mundo sendo mesmo cultivada nas Américas, Africa do Sul, Japão e Austrália. Mas Espanha, Itália, Grécia e Portugal continuam responsáveis por cerca de 73% da produção mundial de azeite.
De resto, na Zona do Pinhal e no país em geral, todos nós conhecemos a importância desta árvore na nossa cultura e tradição, e todos nós nos lembramos, por exemplo de cantares como este:
"Ó oliveira da serra,o vento leva a flor.Ó oliveira da serra,o vento leva a flor.Ó i ó ai, só a mim ninguém me leva,Ó i ó ai, para o pé do meu amor.Ó i ó ai, só a mim ninguém me leva,Ó i ó ai, para o pé do meu amor. "
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