Aeroporto de Beja é baixo investimento para um grande benefício

O primeiro-ministro considerou um "baixo investimento para um grande benefício" a construção do aeroporto de Beja, um projecto estruturante para o Alentejo interligado com o Porto de Sines e Alqueva."O aeroporto de Beja há muito que devia estar decidido", afirmou José Sócrates, após colocar, simbolicamente, a primeira pedra das obras de construção da infra-estrutura aeroportuária, num terreno anexo à Base Aérea n 11 de Beja (BA11).Prometendo que o actual governo vai concentrar esforços na concretização do aeroporto, num investimento de 33 milhões de euros, o Chefe do Governo apelidou o lançamento da primeira pedra como "o início de uma nova época para o Alentejo"."O aeroporto de Beja constitui um contributo fundamental para dar um novo posicionamento ao Alentejo e potenciar os recursos endógenos", prosseguiu Sócrates, destacando também a importância do projecto de Alqueva e do Porto de Sines para o desenvolvimento da região.O investimento no Aeroporto de Beja, explicou Sócrates, vai ser importante, em termos logísticos, para potenciar tudo aquilo que é produzido em Portugal e se destina à economia global."E logística significa colocar os produtos no tempo adequado e no momento certo junto dos consumidores", disse.A mesma opinião foi antes partilhada pelo ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, para quem o novo aeroporto assume-se com o "um dos vértices que fecha o triângulo de desenvolvimento do Alentejo", a par do Porto de Sines a Barragem de Alqueva.Orçadas em 10 milhões de euros, as obras do Terminal Civil da primeira fase do Plano de Desenvolvimento do Aeroporto, que deverão começar nos próximos 30 dias, foram adjudicadas sexta-feira à SOPOL - Sociedade de Construção de Obras Pública.Com um investimento total na ordem dos 33 milhões de euros, o aeroporto de Beja, um projecto há muito prometido e reclamado para a região, deverá estar operacional em finais de 2008.As primeiras obras, que deverão durar um ano, incluem terraplanagens e a construção de placas de estacionamento, áreas operacionais e estradas de ligação às pistas da Base Aérea n.º11 de Beja (BA11).A empresa responsável está também a fazer o projecto de execução para as obras dos Edifícios da primeira fase do Plano de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja, que deverá estar concluído "até Março".Segue-se o lançamento do concurso público para a adjudicação das obras, que incluem a construção do terminal de passageiros e carga, edifício de serviços e de bombeiros, material de placa e portaria.A construção do aeroporto será financiada, em 30 por cento, pelo Orçamento de Estado, com verbas já contempladas no Programa de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) de 2006 e 2007.Os restantes 70 por cento serão garantidos por fundos comunitários, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).A manutenção de aeronaves, o transporte de cargas e os voos de passageiros são as valências apontadas para o futuro aeroporto, que vai ficar a cinco minutos da cidade de Beja e resultará do alargamento da utilização da Base Aérea n.º 11 para fins civis.
O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou em Beja que estão garantidos os 900 milhões de euros para concluir "mais rapidamente" o Alqueva, até 2015, projecto de "enorme importância nacional" e que "já está a dar frutos"."Alqueva é um projecto nacional. Precisamos de o completar muito mais rapidamente do que aquilo que tinha sido inicialmente previsto", declarou Sócrates.O Chefe do Governo falava após uma visita às obras da Barragem do Pisão , no concelho de Beja, integrada no sistema global de rega de Alqueva, no início da iniciativa "Governo Presente" que hoje decorre no distrito de Beja."Até 2013, temos todo o financiamento indispensável para que, em 2014 ou 2015, este projecto acabe", assegurou.A conclusão do projecto de Alqueva, inicialmente prevista para 2025, foi antecipada em 10 anos.De acordo com os dados divulgados, o investimento de 900 milhões de euros está assegurado a nível nacional, através do Plano de Desenvolvimento Rural ( 600 milhões), e por fundos da União Europeia, a partir do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) a vigorar entre 2007 e 2013.Em construção há cerca de dez anos, com o investimento distribuído pelas áreas agrícola, hidroeléctrica, turística e de abastecimento público, a Barragem de Alqueva, considerada estruturante para o Alentejo, já permite regar e produzir energia eléctrica.Dos 110 mil hectares de regadio que o projecto irá criar até 2015, as infra-estruturas de Alqueva já permitem "alimentar", através da rede secundária de rega, 5.820 hectares no concelho de Ferreira do Alentejo (Beja) e 596 na aldeia da Luz, no concelho de Mourão (Évora).A Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva (EDIA) garante que, com as várias obras em curso ou a lançar em breve, deverão ser criadas as condições para "alcançar a meta de 32.200 hectares de regadio estabelecida par a 2009".A empresa prevê criar cerca de 25.700 hectares de novos regadios do Sistema Global de Rega de Alqueva, que virão juntar-se aos cerca de 6.500 já em exploração."Tenho muita esperança que possamos acabar este empreendimento em 2014, embora a EDIA, com precaução, tenha um horizonte de realização até 2015", afirmou Sócrates, acompanhado pelos ministros da Agricultura, Jaime Silva, e do Ambiente, Francisco Nunes Correia.Para justificar a "enorme importância nacional" de Alqueva, o chefe do Governo destacou, além da modernização agrícola da região, os contributos do projecto para "dinamizar o turismo e potenciar o aproveitamento hídrico" para a produção de energia eléctrica."A pressa que o Estado tem de completar Alqueva é porque sente que o mercado está a reagir. Alqueva está a despertar interesse do ponto de vista turístico", afirmou José Sócrates, defendendo a necessidade de "responder à vontade dos empreendedores que querem desenvolver os seus projectos".Apontado os "muitos projectos de grande qualidade", já apresentados, o primeiro-ministro considerou que os investimentos podem oferecer à região do Alentejo a oportunidade de se transformar num "novo ponto turístico de enorme importância".Em termos energéticos, José Sócrates começou por lembrar que a ambição hidroeléctrica de Alqueva era "muito menor há uns anos atrás" e hoje está "forte mente inflacionada" para defender que o país precisa de aproveitar toda a energia de origem hídrica que puder."Portugal é o país europeu com maior potencial hídrico não aproveitado.Há quase 30 anos, com excepção de Alqueva, que não fazemos nenhuma barragem. Isto é absolutamente irresponsável para um país que precisa de reduzir a sua dependência energética do exterior e dos combustíveis fósseis", disse.Na cerimónia de hoje, a EDIA anunciou que prevê duplicar a capacidade instalada de produção de energia na central hidroeléctrica de Alqueva (de 260 par a 520 Megawatts) e triplicar na central do Pedrógão (de 10 para 30 Megawatts).A empresa está também a construir uma mini-central hidroeléctrica na Barragem do Pisão, visitada hoje pelo primeiro-ministro, e prevê criar mais sete equipamentos do género em Alvito, Odivelas, Vale do Gaio, Roxo, Serpa, Álamos e Pedrógão-Ardila.Lembrando os que no passado duvidavam das vantagens de Alqueva, José Sócrates afiançou hoje que já se começam a "recolher os frutos deste investimento público" que, observou, "vai mudar a face do Alentejo e dar um contributo para o crescimento económico do país".

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