SECÇÃO: Suplemento - Azeite
As variedades de azeitona dominantes na chamada Zona Homogénea da Margem Esquerda são a Galega, Verdeal, Cordovil e Cobrançosa. Explica Aníbal Martins, presidente da Cooperativa Agrícola de Brinches, concelho de Serpa, que é o conjunto destas quatro variedades que distingue o olival e o azeite desta região. Diz mesmo que o rendimento médio do olival no resto do país é bastante mais baixo que nesta região, reportando-se essencialmente aos municípios de Serpa e Moura. Aníbal Martins faz ainda uma comparação com a vizinha Espanha referindo que: “Em termos de país o rendimento das nossas variedades não é muito grande, mas a qualidade é muito superior, nomeadamente porque lá houve uma reconversão pensando em produzir muito azeite, com variedades como a Picual”. Reflectindo sobre a última campanha, o presidente da Cooperativa adianta ter havido uma quebra de cerca de 40% em relação à campanha anterior. Mesmo ao nível da qualidade Aníbal Martins afirma terem havido algumas complicações que apesar disso possibilitaram obter azeite de várias categorias, desde o muito bom até ao péssimo. Em termos globais a qualidade média foi inferior à campanha passada, reflexo das condições climatéricas adversas e de ataques de mosca e gafa. Aquilo que realmente preocupa Aníbal Martins tem a ver com o olival nacional que produz uma média de 700 a 800 quilos de azeitona por hectare, não está mecanizado e não foi remodelado. Importa novamente comparar com a vizinha Espanha onde qualquer olival novo produz cinco a seis mil quilos por hectare. O responsável continua, dizendo que “em Portugal, salvo raras excepções, os olivicultores tratam mal o olival porque este não lhes dá o retorno suficiente para lá investirem”. Surge também a oportunidade de Portugal plantar trinta mil novos hectares de olival e em Brinches há empenho para que tal se reflicta no olival da região. Já se plantaram cerca de mil hectares desde Agosto passado e espera-se atingir entre três a quatro mil, na área de intervenção da Cooperativa. “Pensamos desta forma conseguir, por um lado, garantir o futuro dos nossos associados, por outro, a continuidade da própria cooperativa porque estamos convencidos que dentro de dez anos, se não houver evolução no sector do olival em termos de plantações e de reconversões, Portugal poderá chegar a produzir metade daquilo que acontece actualmente”, sustenta. Apesar desta necessidade de renovação dos olivais, Aníbal Martins mostra-se céptico em relação ao olival superintensivo para produção, embora defenda este olival enquanto objecto de investigação e experimentação. A grande diferença parece residir na duração de cada um dos modelos de olival, se o olival tradicional chega a produzir ao longo de 50 e até 60 anos, um olival superintensivo tem uma duração média de vida de uma dúzia de anos, ao fim dos quais é preciso voltar a plantar.
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