Portugal Diário - Lisboa,Portugal

Metade do lixo produzido por cinquenta famílias de Bragança vai ser reaproveitado para fertilizar jardins e quintais no âmbito de um projecto-piloto de compostagem doméstica apresentado esta terça-feira pela autarquia local, escreve a agência Lusa. A Câmara de Bragança escolheu o Dia da Terra para entregar cinquenta compostores, contentores para compostagem, às famílias.
Segundo Rui Caseiro, vice-presidente da autarquia e responsável pela área do Ambiente, a área-piloto deste projecto é o bairro de Vale Churido, uma zona de vivendas, onde é mais fácil individualizar a experiência. O autarca espera alargar a iniciativa a outras zonas da cidade, depois de avaliados os resultados desta experiência que se vai prolongar até ao final do ano.
As famílias que aderiram vão depositar todo o lixo orgânico doméstico, sobretudo vegetais, e restos dos jardins, no contentor verde com capacidade de 300 litros que «não tem cheiro», garante o autarca. O composto resultante é utilizado como fertilizante nos jardins e quintais ou hortas, como acontecia antigamente na agricultura tradicional.
A família de Belmiro Vilela recebeu um dos compostores, mas há muito tempo que recorre a esta prática nos jardins da sua moradia. Belmiro encorajou mesmo a Câmara a disponibilizar um compostor maior, na cidade, onde as pessoas pudessem ir buscar este composto orgânico para utilizarem em vez de adubos industriais.
O concelho de Bragança produz 16 mil toneladas de lixo por ano, segundo Rui Caseiro, muito do qual poderia ser reciclado ou sujeito a compostagem. Quanto maior for a adesão a estas práticas, menos lixo será depositado no aterro sanitário da Terra Quente, comum a treze municípios do Nordeste Transmontano.
Este projecto será supervisionado pelo Instituto Politécnico de Bragança e a Empresa Intermunicipal Resíduos do Nordeste.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, criticou na segunda-feira na ONU a expansão dos biocombustíveis que usam alimentos como matéria-prima e o capitalismo, que transformou o planeta em «mercadoria», escreve a agência Reuters.
Morales disse estar «pela primeira vez» de acordo com organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, que reconheceram que os biocombustíveis estão a provocar subidas nos preços dos alimentos e uma crise alimentar global. No entanto, pediu mais acções dessas instituições.
O FMI e o Banco Mundial alertaram que a subida do preço do trigo, do arroz e de outros alimentos pode levar 100 milhões de pessoas à pobreza e gerar instabilidade política, como ocorreu recentemente no Haiti e em alguns países da África e da Ásia. Apesar disso, as organizações afirmaram que a crise é provocada não só pelos biocombustíveis, mas também pelo aumento da procura alimentar na China e na Índia e por desastres climáticos que afectaram as colheitas.
Morales defendeu na ONU a visão indígena de harmonia com a natureza e um «socialismo comunitário» que incorpore a mensagem de preservação do planeta. O indígena de esquerda condenou ainda o capitalismo como um sistema que explora a «mãe terra» e promove «um desperdício de energia, principalmente fóssil». «A terra não pode ser entendida como uma mercadoria», concluiu.
A reciclagem de rolhas de cortiça para criar bosques foi o mote de uma campanha nacional lançada esta terça-feira em Coimbra pela organização ambientalista Quercus, a que se associam empresas para tornar o projecto financeiramente sustentável, noticia a Lusa.
Em Portugal, 300 milhões de rolhas por ano entram no mercado e a ideia é, gradualmente, ir alargando o sistema de recolha para que se evite a produção de CO2 com a incineração desse resíduo, e se transforme novamente em matéria-prima com ganhos económicos investidos em plantar e cuidar de novas árvores.
Paulo Magalhães, da Quercus, adiantou à agência Lusa que, no primeiro ano, se pretende atingir uma recolha de dez por cento das rolhas que entram no mercado, no âmbito de um projecto que visa plantar e cuidar de um milhão de árvores em cinco anos.
Informações ambientais e conselhos para salvar o planeta é o que a campanha «Lisboa pelo Clima» tem para lhe oferecer. As comemorações do dia da Terra já começaram na capital com um evento recheado de informação útil pelo «arrefecimento global».
«Lisboa pelo Clima» é um evento aberto ao público, onde a Câmara de Lisboa, a Quercus e diversas as empresas reúnem-se para alertar a população para as questões climáticas e contribuir para um ambiente melhor.
20-20-20
Uma das temáticas abordadas nesta campanha é a recomendação ambiental 20-20-20 do Conselho Europeu para todos os Estados Membros. Esta recomendação pretende que seja aumentada a produção de energia a partir de fontes de energia renováveis em 20 por cento, aumentar a eficiência energética em 20 por cento e reduzir em 20 por cento as emissões dos gases com efeito de estufa.
Para lutar por esta meta é possível assinar uma petição, que será entregue na câmara de Lisboa, e pedir por medidas que ajudem a concretizar este plano e assim ajudar a melhorar o ambiente da cidade.
Consciencialização ambiental
Joaquim Medeiros, reformado de 80 anos, foi uma das pessoas que passou no Largo Camões. Na sua opinião «não há informação suficiente sobre o ambiente».
«A culpa é do Governo. Temos um Ministério da Educação invisível que devia aparecer mais vezes», afirmou. Justina Salta, uma das pessoas que assinou a petição, é da mesma opinião. «Não há informação por parte do Governo».
Sequestração de carbono
Tiago Ribeiro é sócio da empresa Carbon2Oxygen, empresa presta serviços ambientais de sequestração de carbono: «O dióxido de carbono emitido pode ser recuperado através de compensações. Estas compensações podem ser feitas, por exemplo, através da plantação de árvores e da pastagem de leguminosas».
Em declarações ao PortugalDiário, Tiago Ribeiro deixou alguns conselhos para quem quiser investir na conservação do ambiente. «Vejam no vosso dia-a-dia o que podem fazer para ter menos impacto no ambiente. Pode começar por utilizar lâmpadas de menor consumo ou alterar a sua condução. Uma condução mais suave leva a uma poupança no consumo».
Em relação à posição ambiental do nosso país Tiago Ribeiro é claro: «Já está a acontecer muita coisa. As entidades governamentais têm investido em energias renováveis, por exemplo. Mas todo este esforço vem com quatro ou cinco anos de atraso», avisou.
Faculdade ambiental
A «Climate Change College» é outra das iniciativas da «Ben & Jerry»: uma faculdade de educação ambiental onde jovens empreendedores podem apresentar os seus projectos ecológicos e habilitarem-se a um patrocinio por parte da empresa.
Em declarações ao PortugalDiário, Marta Quelhas, representante da «Ben & Jerry», em Portugal, afirmou que esta escola ambiental se enquadra «na filosofia de mobilidade social e ambiental da empresa».
No último ano, venceu Filipe Alves, um jovem economista, de 23 anos, que construiu um projecto para a reciclagem de óleos alimentares para os transformar em biodiesel. «Temos já 300 litros de óleo alimentar para dinamizarmos a cidade de Lisboa», afirmou Marta Quelhas.
Para Filipe Alves, são estas iniciativas que fazem com que se chegue «às pessoas as preocupações ambientais e as soluções. Embora haja interesse por parte das pessoas não há mobilização. Há uma apatia generalizada».

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