A Junta de Andalucía publicou, recentemente, um estudo sobre a caracterização do olival


Numa altura em que se prepara a entrada na nova OCM do azeite, com o consequente desligamento da produção e levando em linha de conta o peso do olival andaluz na União Europeia, torna-se interessante proceder à divulgação de alguns dados deste estudo para melhor compreendermos o sucesso olivícola da região e a decisão política espanhola sobre o grau de desligamento a adoptar.

A Andaluzia, região no Sul de Espanha, é considerada a maior região olivícola da União Europeia.

O olival existe na Andaluzia desde o séc. IX a.C., sendo uma cultura de grande importância, tanto sob o ponto de vista económico (representa cerca de 30% da produção agrícola da região) como social e ambiental.

O olival andaluz representa 60% do olival espanhol e 27% do olival da União Europeia sendo, pela sua extensão, a cultura mais importante da região.

Jaén e Córdoba são os principais pólos olivícolas concentrando 61,8% do olival andaluz.
A produção de azeitona destina-se maioritariamente à produção de azeite (quase 95%), sendo a produção média da Andaluzia nas últimas cinco campanhas de 867340 toneladas, correspondendo a 87% da produção total espanhola.

Na presente campanha a Andaluzia espera uma produção de 795834,613 toneladas, correspondendo a 84% da produção espanhola.

Quadro1-Evolução da produção de Azeite nas últimas cinco campanhas

Campanha
Produção
Andaluzia (ton)
Produção
Espanha (ton)
1999/2000
429.027,860
669.058,313
2000/2001
855.025,092
974.675,767
2001/2002
1.170.183,619
1.236.509,966
2002/2003
710.778,672
861.383,834
2003/2004
1.171.686,397
1.236.509,996
Fonte: Ministério de Agricultura, Pesca y Alimentación (Espanha)

O olival andaluz, numa perspectiva global, apresenta uma enorme diversidade estrutural, agronómica e produtiva que persiste em qualquer parte do âmbito territorial considerado.

É um olival de minifúndio em que 31% dos olivicultores têm explorações com aérea inferior a 1 hectare e 48,3% têm explorações com uma área entre 1 e 5 hectares.
Somente 0,4% dos olivicultores têm explorações com uma área superior a 100 hectares.

A variedade predominante na Andaluzia é a Picual com 857.746 hectares, correspondendo a 58,2% do olival andaluz.

Esta variedade tem sido adoptada em grande parte das novas plantações, devido à sua elevada produtividade.

A variedade “Hojiblanca”, com 267.199 hectares, ocupa 18,1% da superfície olivícola na Andaluzia.

É constituído maioritariamente por olivais tradicionais de sequeiro, correspondendo a 63, 45% dos olivicultores e a 56,10% da superfície.

Nesta região existem muitos olivais com árvores de mais de um pé. A densidade dos olivais tradicionais é de 70 a 80 oliveiras por hectare, plantadas geralmente com 3 pés por oliveira, correspondendo a um número de pés de 210 a 240por hectare.

A maioria do olival andaluz (45,4%) apresenta uma densidade entre 70 e 120 oliveiras por hectare.

Actualmente as plantações apresentam densidades mais elevadas, de 200 a 250 oliveiras por hectare, com um só pé por árvore, de modo a facilitar a colheita mecânica.

31,86% das explorações olivícolas andaluzes estão a ser objecto de renovação. A percentagem de olival renovado por exploração é muito variável. 49% das explorações com novos olivais renovaram pelo menos 25% da sua área, 24% entre 25-50%, e 20% entre 50-99%. As explorações constituídas totalmente por olivais novos representam 7% do olival em renovação.

A nível de produção, 22,7% do olival apresenta produções baixas, de 500 a 1500 Kg/h, considerando a realidade da região. 21,4% do olival apresenta produções anuais superiores a 4000Kg/ha.

A nível de rendimento (funda) a melhor variedade é a “Verdial de Huévar”.

Quadro 2-Rendimento médio das principais variedades da Andaluzia

Variedade
Rendimento médio(%)
Superfície (ha)
Hojiblanca
18,7
169.466
Lechin de Sevilla
20,3
26.453
Manzanilla de Sevilla
18,1
26.241
Nevadillo Negro
21,3
29.174
Picual
21,8
713.289
Picudo
21,3
11.950
Verdial de Huévar
23,6
8.843
Fonte: Junta de Andalucia

Quadro 3-Produção média do olival em função da variedade

Variedade
Produção Média (Kg/ha)
Hojiblanca
2.717
Lechin de Sevilla
1.042
Manzanilla de Sevilla
2.030
Nevadillo Negro
1.435
Picual
2.904
Picudo
2.263
Verdial de Huévar
1.206
Fonte: Junta de Andalucia

Estas sete variedades são as variedades de 90% dos olivais da Andaluzia.

Quadro 4-Produção média do olival em função do rendimento (funda)

Rendimento(%)
Produção Média (Kg/ha)
<= 20 2.902 20-22 2.793 22-24 2.594 > 24
2.036
Fonte: Junta de Andalucia

Os novos olivais da Andaluzia ainda não se encontram em plena produção, pelo que apresentam, neste aspecto, uma média por hectare de1.956 Kg, inferior à dos olivais adultos que é de 2.736 Kg.

Estes olivais foram plantados, maioritariamente, em solos de menor declive, com maior potencial produtivo e menor risco de erosão. As variedades utilizadas foram escolhidas com base na precocidade de entrada em produção, elevada produção por hectare e bom rendimento. São plantações de regadio e com maior densidade por hectare.

Contrariamente aos olivais adultos a maioria das novas oliveiras só têm um pé.

A colheita da azeitona apresenta uma tendência para a mecanização, devido à falta de mão de obra, à maior velocidade de apanha e também por contribuir para a obtenção de azeites de melhor qualidade.

Este estudo não contemplou os preços a que a azeitona é paga no lagar, tendo como conclusão que a ajuda à produção de azeite é considerada determinante para o futuro do olival andaluz. A Junta de Andalucia considerou que, relativamente aos dados da campanha de 1998/99, sem esta ajuda, 61,5% do olival da sua região seria insustentável.

As novas plantações e a conversão para o regadio têm aumentado bastante o potencial produtivo, facto que não foi compensado pela União Europeia que atribuiu a Espanha, em 1998, uma Quantidade Nacional Garantida de 760.027 que se revelou bastante insuficiente para a produção espanhola e andaluza.

Este défice de quota originou grandes penalizações nas ajudas, o que conjuntamente com a estabilização ou queda de preços, provocou uma diminuição de receitas que penaliza bastante o olival menos produtivo.

Recentemente, o ministério da Agricultura de Espanha, apresentou uma proposta para a aplicação da Reforma da OCM no seu país que contempla um desligamento de 95%, sendo os outros 5% (cerca de 100 milhões de euros) destinados ao envelope financeiro nacional, a dividir por cinco categorias de olival de menor produtividade.

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