Vila de Rei: Autarquia quer oliveiras em vez de pinheiros




O plano de reflorestação do concelho, que perdeu 85 por cento da sua mancha verde com os violentos fogos florestais de 2003, foi oficialmente colocado em marcha no sábado passado, com a abertura do I Festival do Azeite e do Bacalhau.O vice-presidente da Câmara disse à Agência Lusa que a incitava gastronómica, a decorrer em vários restaurantes do concelho até dia 23 de Março, apresenta na sua génese um «duplo objectivo».«Aliar os vários modos de confeccionar o bacalhau, um dos pratos mais apreciados pelos portugueses, ao azeite produzido na Beira Baixa é uma oportunidade para dinamizar o sector da restauração e, ao mesmo tempo, chamar a atenção para a importância do replantio do olival».Segundo disse Ricardo Aires, «as oliveiras podem permitir recuperar uma das tradições ancestrais da região uma vez que encontram aqui óptimas condições de reprodução, ajudam a melhorar a paisagem e são geradoras de riqueza».O plano, denominado "D.Dinis", passa pela reflorestação de cerca de 10 dos 19 mil hectares que constituem a área total deste concelho que assinala o Centro Geodésico de Portugal.«A aposta é para cerca de metade da área concelhia pelo que, sendo uma área tão vasta, o plano não se concretizará de um momento para o outro», afirmou o autarca que não especificou o valor das verbas que poderão estar envolvidas neste projecto.«Os proprietários de terrenos vão ter acesso a fundos comunitários e a novas oportunidades para replantio do olival mas apenas trabalhando em conjunto a replantação pode gerar frutos», afirmou.Elaborado pelo Gabinete Técnico Florestal (GTF)da autarquia, em estreita articulação com a Associação de Produtores Florestais de Vila de Rei, o processo de elaboração do projecto revelou-se «difícil e moroso», segundo os seus responsáveis.Bruno Cardoso, um dos responsáveis pelo GTF, disse à Lusa que «foi feita a identificação de todos os proprietários e das áreas a reflorestar» e que o processo se revelou «moroso» por ter sido efectuado numa zona de terrenos florestais privados onde «predomina o minifúndio e a falta de cadastro».«O mais difícil está feito pelo que agora é importante sensibilizar os proprietários para o replantio do olival, numa lógica de expectativa estratégica concelhia, e tendo em linha de conta as verbas provenientes do novo quadro comunitário de apoio», afirmou. Segundo disse, «a azeitona `galega` tem-se adaptado muito bem a esta região e dessa variedade obtém-se azeite com um paladar e características muito próprias pelo que não podíamos ficar alheios a este potencial económico e social».O vice-presidente da Câmara disse à Lusa que «o grande objectivo» do plano “D. Dinis” é «reordenar o território possibilitando a criação de riqueza e a fixação de pessoas».Segundo disse Ricardo Aires, «a ideia passa por criar condições para recuperar o sector da olivicultura, não só na produção como também no processamento, e redinamizar as vertentes da pastorícia e da apicultura».«A médio prazo, quando este plano estiver a funcionar de forma mais visível, irá ser uma alavanca de outro sector estratégico para o concelho», afirmou.Segundo disse, «para além de potenciar as actividades ditas tradicionais, o projecto “D. Dinis” assenta numa lógica de atracção de investimento turístico, nomeadamente nas vertentes do turismo rural e ambiental».O rei D. Dinis, que concedeu foral ao concelho em 1285, empresta o nome ao projecto.

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