Plantas aromáticas e medicinais que "povoam" os campos alentejanos, como o
Plantas aromáticas e medicinais que "povoam" os campos alentejanos, como o alecrim ou a esteva, estão a ser destiladas por uma microempresa de holandeses, em Alqueva (Portel), para obter óleos essenciais e criar produtos terapêuticos e de beleza.Alecrim, esteva, rosmaninho, hipericão, lúcia-lima ou poejo são algumas das plantas da serra de Portel a que a empresa, com o sugestivo nome de Quinta Essência, recorre para extrair óleos essenciais.Depois, mediante "fórmulas secretas", podem ser utilizados para criar perfumes, cremes para o corpo, rosto, barba e banho, sabonetes, loções e óleos de massagem ou para utilizar na aromaterapia.A ideia de negócio é de Willemina de Jongh-Stulemeyer e Harry Stulemeyer, dois irmãos holandeses que, no final dos anos 80, compraram um terreno e restauraram um monte naquela zona, na freguesia que dá nome à albufeira de Alqueva."O meu irmão, farmacêutico e bioquímico, queria trabalhar na Universidade de Évora, só que não conseguiu. Mas gostámos tanto da zona que fizemos um projecto com plantas medicinais", conta à agência Lusa Willemina, de 63 anos, tratada por "Guilhermina" pelas pessoas da terra.Formada em História da Arte e sem perceber "nada" de "plantas e ervas", ao contrário do irmão, Willemina tirou um curso sobre a temática, frequentou colóquios, passeios no campo e estudou para "aprender mais".Num anexo do monte, pintado com barras azuis ao sabor do "arco-íris" de cores das plantas campestres, foi montado o projecto-piloto de destilação, com métodos e "receitas" concebidos pelo irmão."Da destilação, resulta a água floral e o óleo essencial. Com a primeira posso fazer, por exemplo, um after-shave, mas os outros produtos finais fazemos na Holanda porque no monte é mais complicado", afirma Willemina, num português com os "erres" vincados e que, quando quer falar depressa, lhe troca as voltas.São mais de 60 os produtos, "100% naturais", que a Quinta Essência - Sociedade Agrícola, Lda cria, sempre que possível interligados com outras matérias-primas portuguesas de qualidade."Temos sais de banho com óleo essencial e sal da Ria Formosa", refere, apontando ainda a mistura de calêndula, que tem "muitos componentes terapêuticos", com azeite biológico de Moura, usada em alergias ou feridas superficiais.Das mais variadas plantas, Willemina tem na "ponta da língua" as suas "mil e uma" aplicações, que partilha enquanto, encosta acima e encosta abaixo, vai indicando o nome desta e daquela erva medicinal, umas mais conhecidas do que outras, que crescem quase ao "pé da porta".Eucaliptos não faltam na região e os seus ramos são igualmente destilados para extrair óleo essencial, num processo que varia, no tipo de tratamento, tempo que demora e na quantidade obtida, consoante a planta."O rosmaninho dá um óleo muito bom", afiança, corroborada por Viriato Alhinho, 61 anos, natural da vizinha povoação de Amieira e quem lhe cuida do monte e faz a destilação quando regressa à Holanda: "A esteva é a que dá menos, mas é um óleo muito procurado e raro, e o eucalipto e o alecrim são os que dão mais".Como exemplo, Viriato explica que a destilação das folhas de esteva, planta que os franceses, para utilizar na indústria dos perfumes, "já quiseram levar do Alentejo para França para plantar, sem sucesso", demora "três horas"."Se fizéssemos três destilações por dia, ou seja nove horas, tirávamos para aí um litro de óleo essencial num mês", adianta, para mostrar as reduzidas quantidades obtidas.Willemina está bem ciente que com os óleos essenciais puros "não se faz lucro nenhum", porque o preço "não compensa o trabalho", e, por isso, ambiciona transformar o projecto-piloto numa empresa maior, que sustente a produção de produtos finais e "dê trabalho aos jovens da terra"."É uma pena perder-se esta mais-valia do Alentejo, que é muito rico em plantas aromáticas e medicinais e cuja destilação pode ser um bom complemento das actividades tradicionais", argumenta a destiladora.Por agora, vende "pequenas quantidades" de óleos e cremes para a Holanda e Suíça, mas está desejosa de parcerias com produtores agrícolas locais, eventualmente criando uma cooperativa, ou com o vizinho município de Moura, apostado em reabrir as termas.E porque não um perfume, com cheiro campestre, do próprio Alentejo? Willemina é rápida na resposta: "É uma ideia que temos. Um dia, gostávamos de fazer um perfume para promover o Alentejo". A palavra do leitor
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