Investigação foi desenvolvida em laboratório da Universidade do Algarve. Árvores produzidas em meio científico já foram instaladas num pomar de Tavira


Investigação foi desenvolvida em laboratório da Universidade do Algarve. Árvores produzidas em meio científico já foram instaladas num pomar de Tavira.
Numa altura em que a cultura da alfarroba pode vir a aumentar nos próximos anos, o laboratório de Biotecnologia Vegetal da Universidade do Algarve já tem soluções para ampliar a propagação da alfarrobeira e colocar à disposição dos agricultores exemplares livres de doenças ou contaminações.O processo é designado por micropropagação e deu os passos iniciais em 1996, no âmbito de dois projectos de investigação, cuja área de estudo era transversal à alfarrobeira.Esses dois projectos não tinham como objectivo produzir plantas em grande escala, mas sim desenvolver processos com vista a propagar plantas através da cultura in vitro.A alfarrobeira foi uma das espécies em que a micropropagação deu resultados positivos, já que, em comparação com as técnicas normais de propagação vegetativa – como a enxertia ou a estacaria –, verificou-se ser possível obter mais plantas em menos tempo.Estas conclusões foram apresentadas por uma investigadora da Universidade do Algarve (UAlg), durante as I Jornadas da Alfarroba, uma iniciativa organizada pela Câmara de Tavira e destinada a divulgar as novas perspectivas comerciais e técnicas deste produto.A redução do material necessário afigura-se como outra das vantagens do processo in vitro, como explicou ao «barlavento» Anabela Romano, coordenadora do Laboratório de Biotecnologia Vegetal da Universidade.«Utilizando o método de estacaria, precisaríamos de troncos com cerca de 20 centímetros, o que significa uma elevada quantidade de material caso se queira reproduzir árvores em grande escala. Pelo contrário, no caso da micropropagação, e a partir de uma quantidade ínfima de material de apenas um centímetro [uma axila de um ramo ou de uma gema terminal], estamos em condições de obter essas mesmas mil plantas», explica a investigadora.No caso do projecto de investigação desenvolvido desde 1996, foram propagadas cerca de 300 alfarrobeiras. Destes exemplares, cerca de uma centena serviu de base à instalação de um pomar na Quinta da Pintassilga (Tavira).O projecto foi apoiado pelo programa Agro e pela Associação Interprofissional para o Desenvolvimento da Produção e Valorização da Alfarroba (AIDA). Paralelamente, foi instalada no mesmo local uma centena de alfarrobeiras provenientes da germinação de sementes.24 meses decorridos desde a instalação do pomar, os primeiros resultados já são visíveis e o processo de micropropagação demonstrou mais-valias.Segundo Anabela Romano, «verificou-se que as árvores micropropagadas tiveram uma taxa de sobrevivência na ordem dos cem por cento e constatou-se também que o crescimento foi mais vigoroso em relação aos exemplares obtidos através de sementeira».Segundo a investigadora da UAlg, esta maior rapidez de crescimento potencia «a produção de um número teoricamente indefinido de plantas», tendo-se ainda constatado que a propagação dispensa as enxertias porque a planta resultante é «geneticamente igual à planta de partida».Neste momento, a universidade não está vocacionada para fazer empresas de produção de plantas, mas está aberta «à transferência do conhecimento tecnológico para os eventuais interessados», conclui Anabela Romano.Instado pelo «barlavento» a comentar as vantagens deste processo, o director da Danisco reconhece a importância da propagação meristemática, admitindo que, neste momento, «não há material vegetal de confiança para proceder às enxertias».Por seu turno, o director regional de Agricultura Castelão Rodrigues destaca a «garantia de genuinidade» das variedades produzidas em laboratório e sublinha as vantagens de dispor de processos de reprodução mais acelerados.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Oliveira mais antiga de Portugal nasceu há 3550 anos

Maior baoba do Mundo

PODAS DE INVERNO: TUDO O QUE DEVE SABER