Culturas de hortícolas e citrinos do Algarve destruídos em "grau elevado" pela geada

Culturas de hortícolas e citrinos do Algarve destruídos em "grau elevado" pela geada
Citrinos podem vir a sofrer ainda mais
Alguns agricultores com estufas de tomates, pepinos, pimentos, "courgettes" e pomares de citrinos nas zonas de Faro, Olhão e Silves viram as suas culturas queimadas na totalidade ou parcialmente pelas geadas que caíram nos últimos dias no Algarve.
Em declarações à Agência Lusa, o responsável pela Uniprofrutal - união de associados que produzem hortícolas e citrinos - referiu que o frio de "carácter excepcional" das últimas três noites provocou nalguns casos "perdas totais de culturas"."Observamos, em relação às estufas de horticultura, um grau de afectação muito elevado e nalguns casos com perdas totais das culturas", referiu Eduardo Ângelo, da Uniprofrutal, referindo que hoje é o primeiro dia que estão no terreno a avaliar os prejuízos do frio na agricultura algarvia.As estufas de tomate, pepino e melão em Faro, Olhão e Silves são as culturas atingidas com maior gravidade, mas também o sector dos citrinos sofreu com as geadas, embora a situação seja menos grave, acrescenta aquele produtor, referindo que ainda é cedo para falar com áreas de cultura atingida, por ainda se estar a fazer o inventário no terreno.Um produtor de citrinos adiantou à Lusa, no entanto, que existe "muita laranja queimada pela geada que ficou sem sumo na zona de Silves e de Alte.Norberto Coelho, um produtor de agricultura biológica há quinze anos no Algarve, diz que não se recorda de um ano assim e jura que nem quer fazer as contas ao prejuízo que o frio dos últimos dias causou nas suas estufas."Só não 'arderam' os plásticos e os tubos das estufas", desabafa Norberto Coelho, sublinhando que parece ter havido um incêndio no meio hectare de cultura biológica que possui na zona da Tôr, concelho de Loulé.A geada destruiu cerca de cinco mil pés de tomate, mil pés de pimento e quantidade idêntica de 'courgettes'. Até as culturas mais resistentes, como a alface e a couve, ficaram cozidas com o frio, adiantou aquele produtor de hortícolas.Além das culturas de estufa, também as árvores de fruto que possui - abacateiros, laranjeiras e tangerineiras -, foram afectadas pela vaga de frio, num ano que Norberto Coelho só quer esquecer."Nem me queixei à Direcção Regional de Agricultura e Pescas, porque quando eles vão dar alguma coisa já o burro está morto", ironiza, acrescentando que a melhor solução é "começar a trabalhar novamente".A Agência Lusa contactou o responsável pela Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve (DRAPalg), que confirmou que estão desde hoje de manhã no terreno equipas daquele organismo a fazer o levantamento dos estragos causados pelas geadas nas culturas."Não sabemos ainda qual o universo de produtores afectados, nem o montante dos prejuízos, que serão determinados ao longo da semana", acrescentou Joaquim Castelão Rodrigues
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