Os abacates e os diospiros são as duas únicas fileiras de frutos subtropicais em que o Governo está a apostar no Algarve, mas a região tem capacidade


Os abacates e os diospiros são as duas únicas fileiras de frutos subtropicais em que o Governo está a apostar no Algarve, mas a região tem capacidade para alargar os cerca de 300 hectares de produção até aos 1.500 hectares de culturas exóticas.
Élio Mourinho, membro da Associação de Produtores de Abacate, tem actualmente à sua responsabilidade 30 hectares de abacateiros da variedade "Hass" e contou à Agência Lusa que 95 por cento da produção anual - cerca de 350 toneladas - é exportada para "Inglaterra, Alemanha, França e Espanha".
"No mercado interno há pouca procura, talvez pelo aspecto de pele rugosa e forma de pêra rocha, mas nos países nórdicos são muito bem aceites, como por exemplo na Alemanha", referiu o agricultor, explicando que o abacate é conhecido pelas propriedades vitamínicas e por ajudar a baixar o colesterol.
"Em Espanha até aproveitam o abacate para desenvolver produtos cosméticos, nomeadamente para cremes de beleza ou para a queda de cabelo", acrescentou.
O Algarve, segundo os especialistas, é a única zona do país com condições para cultivar frutos tropicais e subtropicais devido à aptidão do clima, pouco húmido, e pela existência de solos pouco calcários e com boa drenagem.
Apesar de ter capacidade para produzir 1.500 hectares daquela fruta não tradicional, actualmente a zona está subaproveitada, pois apenas há registo da plantação de 213 hectares com abacateiros, 105 hectares com diospireiros e algumas plantações de bananeiras, mangueiras, goiabeiras, mamoeiros (mamão/papaia) ou anoneiras, indica a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve (DRAPAL).
Em declarações à Lusa, o engenheiro agrónomo João Costa indica que, até 2013, a DRAPAlg pretende duplicar o número de hectares da plantação de abacates e diospiros.
Das três raças de abacates que existem - Mexicana, Antilhana e Guatemalteca - a que melhor resiste no Algarve é a Mexicana, que se divide em quatro variedades - Bacon, Fuerte, Hass e Reed.
Com as quatro variedades mexicanas é possível produzir abacate no Algarve durante 10 meses por ano - de Outubro até Julho, observou o engenheiro agrónomo.
A fileira do diospiro está a produzir cerca de 26 toneladas por hectare por ano, mas a estimativa é aumentar para 30 toneladas por hectare.
Em 1996, o pai de Luís Sabbo começou com plantar diospireiros na zona de Luz de Tavira. Hoje, aproveitando as sementes do negócio de família, o agricultor Luís Sabbo já conta com 30 hectares de diospireiros na região algarvia e admite que aquela cultura tem espaço para crescer muito mais.
O destino da maior parte dos diospiros, ao contrário do abacate, é para consumo interno, contudo Luís Sabbo admite que há outros produtores que escoam para Paris e Madrid aquela fruta.
Atenta às potencialidades da região na área dos frutos subtropicais, a Direcção Regional de Agricultura criou, em 1986, um centro de experimentação hortofrutícola com o objectivo de ensaiar espécies de frutos subtropicais antes de as divulgar aos agricultores.
Ali eram cultivados abacates, bananas, anonas, goiabas, papaias e mangas, mas o que mais sucesso teve foi o abacateiro. Actualmente, devido à última reestruturação desenvolvida em Março de 2007 pelo Governo, a valência da experimentação e da formação dos agricultores foi retirada à DRAPAlg.
"A experimentação passou a ser da responsabilidade do Instituto Nacional de Recursos Biológicos", explicou o director de serviços da DRAP Alg, Entrudo Fernandes.
Lusa/CCM

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