Via Algarviana: pelos caminhos do Algarve


Trezentos quilómetros a pé, de bicicleta ou a cavalo, de Alcoutim até ao Cabo de S. Vicente, em Sagres. Atravessar o Algarve pela rota mais longa, mais demorada, mas sem dúvida mais saudável e agradável à vista. Apresentada ao público oficialmente na passada sexta-feira, dia 29 de Maio, a Via Algarviana torna-se assim no exacto oposto às auto-estradas, à confusão e à poluição citadina, no fundo uma opção bastante válida para quem procura uma alternativa aos habituais sol e praia algarvios. Num evento organizado pela Almargem – Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve, criadora do projecto da Via Algarviana, cerca de 50 pessoas reuniram-se no Barranco do Velho, concelho de Loulé, para experienciar na primeira pessoa a beleza e as virtudes associadas à serra algarvia. Com partida marcada para as 16:00 horas junto ao moinho da Eira de Agosto, perto do aterro sanitário da Cortelha, os participantes da iniciativa foram recebidos por João Ministro, presidente da Almargem, que, antes do início de uma caminhada de quatro quilómetros por um dos trilhos inseridos na Via apresentou o projecto e explicou os motivos da sua existência. Tendo demorado cerca de três anos a completar, o percurso da Via Algarviana, na sua dimensão total de 300 quilómetros, tal como a sinalização e os trabalhos que tiveram que ser efectuados na sua criação, tiveram um custo orçamentado em 400 mil euros, numa iniciativa que teve o apoio de várias autarquias, do Turismo do Algarve, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e de várias entidades públicas e privadas. Entre os participantes na caminhada esteve Castelão Rodrigues, director-geral da Agricultura e Pescas do Algarve, para quem a Via Algarviana abre novas portas ao turismo da região. “O turismo de sol e praia não tem os dias contados, mas as pessoas começam a procurar outras alternativas”, referiu o dirigente, acrescentando que no seu entender “esta alternativa vem potenciar que os turistas optem também por fazer turismo de natureza.” Para o dirigente, a Via abre também novas oportunidades ao nível empresarial: “a Via Algarviana vem acima de tudo potenciar o desenvolvimento rural e a criação de micro e pequenas empresas, tal como vem oferecer novos serviços, que até agora não existiam ou não tinham grande visibilidade, defendeu Castelão Rodrigues, enquanto percorria os trilhos da serra do Caldeirão. No final dos quatro quilómetros, feitos debaixo do caloroso sol algarvio e de uma leve brisa primaveril, realizou-se no Centro Comunitário de Barranco do Velho a cerimónia oficial de apresentação da Via Algarviana, que contou com a presença de Seruca Emídio, presidente da Câmara Municipal de Loulé, Nuno Aires, vice-presidente do Turismo do Algarve, João Faria, presidente da CCDR e Nelly de Brito, vice-presidente da Almargem. “Mais vale tarde do que nunca. No resto da Europa este tipo de vias já existe há algum tempo”, começou por dizer Seruca Emídio aos presentes, considerando depois os benefícios que iniciativas deste género trazem para o interior do país: “É triste verificar a desertificação no interior, e esta Via funciona como uma forma de minimizar este problema”, afirmou o autarca, para quem “o interior também tem muito para dar”, quando confrontado com o destaque dado à zona litoral do Algarve. Nuno Aires, vice-presidente do Turismo do Algarve destacou ainda aquilo que considera ser “alguma debilidade de alojamento ao longo do percurso”, considerando que ainda existe algum trabalho para fazer. Na sua intervenção, Aires deixou ainda no ar a questão sobre quem irá gerir os destinos da Via: “é necessário perceber o tipo de gestão que será implementada na Via. Continuará sob gestão da Almargem?”, questionou a segunda figura do turismo algarvio. João Faria, presidente da CCDR, destacou acima de tudo o futuro da Via, enumerando aqueles que acredita serem os três pontos essenciais para o futuro do equipamento: “manutenção, animação e a promoção da Via Algarviana”, referiu. Para Faria, é tão ou mais importante conseguir manter o equilíbrio entre o trabalho profissional e o voluntário na manutenção da Via. Composta por 14 sectores com uma distância entre os 15 e os 30 quilómetros, a Via atravessa um total de 9 concelhos e 21 freguesias algarvias, sendo que em cada sector da está identificado um local de pernoita, de descanso e onde os caminhantes podem tomar as suas refeições. Segundo João Ministro, a maior fatia do investimento foi dirigida para a sinalização dos percursos, sendo que o investimento futuro será dirigido para a manutenção dos percursos. “Há pequenos grupos de pessoas a percorrer já a Via. Este ano, por exemplo, já a percorreram mais de 300 pessoas”, afirmou o dirigente da Almargem, anunciando aos presentes que a Via começa já a chamar a atenção de turistas estrangeiros. “Começámos entretanto a receber contactos de agências de viagem e de meios de comunicação estrangeiros, ingleses, alemães e holandeses”, referiu Ministro. Questionado pelo Região Sul sobre a existência de meios de apoio aos caminhantes e de vigia do percurso e de potenciais incêndios, o presidente da Almargem respondeu que esse sector ainda está em desenvolvimento: “Damos às pessoas no guia o número de telefone para onde têm que ligar caso detectem algum incêndio. No caso da vigilância e apoio nos percursos, existe uma empresa que nos ofereceu os seus serviços de vigilância para a Via Algarviana. Para assistir e apoiar as pessoas em caso de dificuldades”, respondeu o dirigente. Para o futuro, João Ministro deixa o desejo da criação de uma “central de reservas”, que permita aos turistas marcar directamente com a organização a sua viagem pela Via. Quanto à gerência da Via Algarviana, e respondendo à questão de Nuno Aires, Ministro defendeu a necessidade de criação de “um consórcio público/privado” que possa gerir tudo da melhor maneira. No final da cerimónia de apresentação, foi ainda distribuído um guia completo da Via Algarviana a todos os presentes, contendo todos os dados e mapas necessários para que os caminhantes possam usufruir ao máximo de toda a experiência da Via. O guia, intitulado “Venha conhecer um Algarve diferente”, estará em breve disponível nos postos de turismo do Algarve a todos os interessados em percorrer a região de lés-a-lés. Por agora, quem quiser obter mais informação sobre a Via, só tem que aceder ao site http://www.viaalgarviana.org// .

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