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Praia de Faro está a tornar-se meca do kitesurf
A Praia de Faro está a tornar-se uma verdadeira meca do "kitesurf" e nos dias de vento enche-se de portugueses e estrangeiros que salpicam a paisagem com papagaios que servem de tracção às pranchas. Situada na Ria Formosa, a Praia de Faro tem as condições ideais para a prática da modalidade, como o vento constante, as temperaturas amenas e a pouca profundidade da água, dizem os amantes de kitesurf.
Apesar de não ser ainda reconhecido oficialmente como um desporto, as escolas e o número de praticantes desta modalidade que mistura vela, parapente, wakeboard e windsurf, explodiram nos últimos anos.
Em Faro, da escola "4Kiters", que funciona em articulação com a "South Store", saem anualmente 100 kitesurfers, sendo que cerca de 70 por cento dos alunos são estrangeiros, entre ingleses, noruegueses ou alemães.
O kitesurf é uma modalidade em que se usa uma prancha que está ligada a um papagaio, pilotado pelo praticante através de uma barra e que serve de impulso para, com a força do vento, fazer a prancha deslizar.
Com o surf a ficar praticamente reduzido aos meses de Inverno, quando as ondas são maiores, o "kitesurf" começou a ganhar terreno na Praia de Faro, local de eleição para praticantes de todo o país e também de Espanha.
Sempre que o vento o permite, a "4Kiters" - que também organiza "kite trips" (viagens) -, leva os aprendizes de barco para a ponta Leste da Praia de Faro (Barrinha), onde os ensinam - em terra e na água -, a arte do "kite".
O grande "boom" deu-se há cerca de dois anos e se inicialmente - no fim da década de 90 -, havia pouco mais de uma dezena de kitesurfers locais a deslizar nas ondas da Praia de Faro, hoje são cerca de uma centena.
Para não falar dos amantes de "kite" que chegam àquela praia vindos de vários pontos do país e também de Espanha, sobretudo da Andaluzia, propositadamente para usufruir das boas condições que a zona oferece.
Segundo João Ataíde e Sofia Teles, instrutores da escola "4Kiters", que funciona em articulação com a "South Adventures", a falta de regras e o vazio legal relativo à modalidade tornam "difícil" a conciliação de interesses entre banhistas, navegadores e kitesurfers.
"É uma actividade que se fosse regulamentada teria um potencial gigante para o turismo", afirma Sofia Teles, sublinhando que a vinda de turistas para o "kite" poderia ajudar a esbater a sazonalidade típica do Algarve.
A Praia de Faro é mesmo considerada um dos melhores "spots" no país para fazer kitesurf, desporto que pode tornar-se perigoso se não forem minimizados alguns riscos, já que se pode atingir uma velocidade considerável.
"Acho que o grande atractivo deste desporto é mesmo a velocidade que se consegue alcançar e a adrenalina de ser puxado", diz José Carlos, de 44 anos, que já fez um pouco de tudo no mudo dos desportos aquáticos.
Habituado aos conflitos que às vezes estalam, José Carlos defende a colocação de sinalética adequada e que no pico de Verão os praticantes se desloquem para a parte Sul da Barrinha, menos povoada pelos turistas.
Já Nuno Leonardo, de 34 anos, é praticante de kite há três anos e diz que a maior parte das pessoas não tem noção da potência do "brinquedo"que têm em mãos e por isso defende a delimitação de zonas para banhistas e outras para os desportistas.
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