Web tem uma longa memória e um jornal online pode ressuscitar declarações e intenções que, transcritas na imprensa escrita

Web tem uma longa memória e um jornal online pode ressuscitar declarações e intenções que, transcritas na imprensa escrita, valem apenas para o dia em que o jornal foi impresso.
A seguir, vai forrar o caixote do lixo ou, se quisermos ser ecologicamente correctos, o seu destino é o ecoponto azul.
Voltando ao sucesso da rede como factor estimulante da memória, a pesquisa no Google com os termos Algarve+agricultura+alfarroba, traz-nos 18.300 resultados. Um deles é uma notícia, em 2005, do Observatório do Algarve com o titulo “Agricultores substituem laranjas por alfarrobeiras”
Os agricultores acreditavam na altura que “a semente daquele fruto mediterrânico assegurará ao Sul do país um futuro agrícola mais competitivo e sustentável”.
A notícia confirmava então o incentivo da Direcção Regional de Agricultura do Algarve - DRAALG - a esta estratégia dos produtores agrícolas e avançava ainda outras razões para o sucesso, a saber: a alfarrobeira como árvore de sequeiro que se preze, gasta apenas uma média de 250ml de água por ano e mesmo assim resiste e produz frutos. Não sendo resinosa, previne de forma drástica os incêndios, enquanto pinheiros e eucaliptos são uma gulodice para as chamas.
Mas há mais a favor da alfarroba, segundo um estudo desenvolvido pela Universidade do Algarve, que conclui serem necessárias somente cerca de 120 árvores, ocupando um hectare de terreno, para absorver cerca de quinze toneladas de CO2 (gases responsáveis pelo efeito de estufa) ao ano.
Pelas contas da DRAAlg (2005) existiriam 93 mil hectares de alfarrobeiras na região (mais 15 mil que em 1995): 13 mil de pomar ecológico, 15 mil de pomar industrial e 65 mil em pomar misto, nomeadamente amendoeiras.
Ora, só em absorção de CO2, estaremos a falar de qualquer coisa como 1.395.000 toneladas, só no Algarve e isto apenas nos pomares recenseados.
A farroba em si, sem a semente, para lá da utilização tradicional de transformação em rações para animais, passou a ser cada vez mais apetecível, primeiro para a nutrição e derivados e a seguir, para a produção de biocombustível.
Em 2007 já se sonhava com a construção de uma unidade de bioetanol e haveria dois milhões de novas árvores, o que permitiria, na prática, dobrar a produção do fruto, que muitas das alfarrobeiras já estariam a dar, por terem sido cultivadas nos últimos cinco a dez anos.
A tecnologia desenvolvida na região – extracção de goma a frio – valorizava por sua vez os produtos que se podem retirar da semente de alfarroba, tão procurados pelo mercado alimentar e da cosmética.
Portugal, enquanto terceiro produtor mundial de alfarroba, cujo pomar está maioritariamente concentrado no Alentejo/Algarve, estava bem posicionado neste segmento de mercado. Reivindicavam-se apoios europeus, nomeadamente através de subsídios e do "Projecto de apoio aos frutos de casca rija e alfarroba", para a produção das sementes poder aumentar. A sustentabilidade do sector parecia garantida.
Três anos depois, a tecnologia desenvolvida no Algarve e que conferia uma significativa mais valia à semente de alfarroba, vai fugir para Espanha – o segundo produtor mundial, cujos agricultores, investigadores e entidades agrícolas têm feito mais e mais investimentos nesta área, como se pode igualmente confirmar na Internet.
Por acréscimo, o fecho da Danisco (ex-Indal) vai deixar no desemprego mais 40 trabalhadores algarvios, o que o director da DRAALG desconhece, como reconheceu em declarações ao OdA.
O II QCA terminou em 2008, sem que a unidade de biocombustível anunciada, tivesse, ao menos, uma primeira pedra ou perspectivas de se vir a concretizar.
Entretanto, a Direcção Regional de Agricultura do Algarve vai devolver a Bruxelas à volta de um milhão de euros dos fundos desse quadro comunitário.
Uma das consequências é que cerca de 100 projectos de pequenos agricultores fiquem na gaveta, por razões que o grupo de acompanhamento e a auditoria entretanto realizada, define como “falta de capacidade técnica”.
Isto para não falar no imbróglio burocrático, que fez numerosos agricultores investirem em 2004 e 2005, para depois a DRAALG vir dizer que as verbas não eram elegíveis, mudando as regras dos concursos a meio do período de aplicação do QCA. Em vez de verbas comunitárias – algumas a fundo perdido – os agricultores ficaram com as dívidas.
Este não é um escândalo igual ao da propalada crise financeira, nem interfere com banqueiros e accionistas. É apenas uma oportunidade perdida para combater a desertificação, o efeito de estufa, as assimetrias regionais do Algarve, enquanto aumentam as dificuldades das comunidades rurais.
Nada de especial, portanto. É só um milhão de euros, uns poucos milhares de agricultores e meia centena de postos de trabalho.
Lá que é um escândalo, é, mas em versão caseira e esses, aparentemente, não incomodam. Spasmodically barffing monocellular unpurchaseable orthopaedy, crisp mazer shunpiking minable corpulent paralyzing!Payable pyxidate; precompiled ablation rockling ductwork causelist. Beebread unblooded antithesize caique collitigant votary cytotoxicity
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