A Oliveira é uma espécie característica do clima Mediterrâneo. No entanto agora está espalhada por todo o mundo.
















A Oliveira é uma espécie característica do clima Mediterrâneo. No entanto agora está espalhada por todo o mundo.
O Homem cedo percebeu que a Oliveira era uma árvore muito rústica, e que dela podia tirar valiosos proveitos. Assim, embora característica deste clima, foi multiplicada e levada para todo o lado.
Povos muito antigos já utilizaram o azeite, tanto na alimentação como na cosmética. As azeitonas eram parte importante na dieta tanto em fresco como salgadas para se conservarem.











A Agricultura Tradicional










No Ribatejo o Olival tradicional é principalmente da variedade Galega. Todos conhecemos árvores centenárias, com pés muito grossos, muita madeira, que continuam em produção. São árvores muito persistentes à passagem dos anos, resistem aos mais variados fenómenos da Natureza. Normalmente depois de um incêndio aparece nova rebentação e depois de dois ou três anos volta a produzir, embora com o tronco todo queimado por dentro. Ao logo dos anos os pés dividem-se no sentido vertical, ficando como que cordas, dando origem a 4 ou 5 árvores independentes. Pode-se dizer que a Oliveira é eterna.


No entanto, as árvores estavam dispersas, com baixas densidades cerca de 40 árvores por hectare e na mesma terra era feita outra cultura, muitas vezes o cereal.

Oliveira Galega milenar






Os amanhos limitavam-se à colheita da fruta, e ao corte de rama para o lume. Como dentro dos Olivais se faziam outras culturas era espalhado estrume dos animais que eram utilizados nos amanhos o que alimentava também a árvore. A mobilização da terra era efectuada por causa das outras culturas e não da Oliveira, e só superficialmente com pequenas alfaias, que nunca danificavam as raízes.
Sem se aperceber, o agricultor controlava pragas e fungos, porque quando fazia um desbaste, tanto para colher a azeitona como para rama, ele tirava madeira transportando as doenças que queimava no forno do pão ou na lareira. Por outro lado a baixa densidade das árvores dificultava a multiplicação das doenças e parasitas.
Safra e Contra Safra:
A Safra quando havia azeitona; durante o varejo eram destruídos os pequenos ramos crescidos nesse ano impossibilitando a produção na outra campanha, o que dava origem à Contra Safra. A árvore no ano seguinte estava de folga, tinha estrume no pé, não tinha azeitona para alimentar, então cresciam lançamentos novos e saudáveis, cheios de força prometendo boa colheita no outro ano, a Safra.
Quem não reparou ainda nas Oliveiras das balsas? ninguém trata delas ou lhes apanha os frutos, ninguém mobiliza a terra. No entanto carregam com frequência. O solo debaixo delas está coberto de Matéria Orgânica, resultado do folhedo caído das silvas, do apodrecimento das ervas e folhas etc. Até a humidade junto ao pé é maior.
Cultura Intensiva
Modernamente a cultura da Oliveira intensiva veio modificar em muito o anterior conceito. As densidades são da ordem das 150 até 350 árvores por hectare, sendo preconizada 250. É claro que se não pode cultivar nos vãos, há ensombramento, alem de se não poder amanhar o Olival na presença de outra cultura.
Com uma população elevada é natural que as doenças e pragas apareçam, daí que é fundamental tratar preventivamente.
Embora a Oliveira seja uma árvore tradicionalmente de sequeiro, agradece alguma água em períodos críticos, que são pelo menos a fecundação das flores, lenhificação do caroço e o engrossar da fruta, isto se não houver humidade suficiente.
Em quase todas as variedades a flor/fruta aparece nos ramos que se desenvolveram no ano anterior, assim, se no período de crescimento activo, lhe for facultada alguma água e nutrientes, os ramos serão maiores e haverá mais espaço para produzir. Mas quanto mais fruta houver mais necessidade há de água... aparece a rega gota a gota.
Agora uma dúvida, a Oliveira não é de regadio quanto é que devo regar?
Dependerá do tipo de solo, e da evapo-transpiração. Em solos argilosos a humidade mantém-se com mais facilidade que nos arenosos. Uma observação atenta do agricultor é a melhor receita. No entanto se tiver uma instalação de gota a gota deve aproveitar para fertilizar o solo.
A experiência diz-me que nos meus terrenos, agilo-calcários, devo reduzir ou parar a rega depois da fruta cheia ainda no mês de Agosto, se este não for quente, sob pena de ter uma funda muito baixa, o que encarece a extracção do azeite. No entanto devo estar atento e se necessário disponibilizar alguma água mesmo em Setembro ou Outubro.
A Oliveira é bastante exigente em Potássio Fósforo e Boro, não esquecendo o Azoto que deve ser controlado pois em excesso aumenta a sensibilidade da Azeitona a doenças e atrasa a maturação.
Assim nos primeiros tratamentos fitossanitários aplico Azoto e Boro até à floração, o Azoto deve continuar juntamente com Fósforo e Potássio até cerca do mês de Junho, devendo depois cortar o Azoto e reforçar o Potássio no acabamento da fruta. De qualquer modo não se pode dar uma receita o agricultor deve fazer sempre análises foliares e adubar em consonância.
Nos anos anteriores com adubação controlada, as análises folheares efectuadas no fim da Primavera, indicam que o Potássio está baixo e o Boro também.
Cultura Super-intensiva
Este método recente está a ser implantado em Portugal desde à 4 ou 5 anos. é um sistema em que as densidades de plantas são na ordem das 2000 árvores por ha, em compassos de 3,5m-3,7m entre linhas e 1,3m-1,5m entre árvores. Existem experiências com variedades nacionais que, por serem recentes ainda não apresentaram resultados.
Eu tenho ensaios com a variedade Cobrançosa e de Maçanilha em vários compassos.
As podas são um dos problemas a resolver, pois não há experiência e portanto não há técnicos a quem recorrer.
Claro que os tratamentos fitossanitários terão de ser mais intensos, pois a densidade populacional é muito maior. No entanto são aplicados com os mesmos acessórios que nas vinhas, que normalmente estão ao alcance da maioria dos agricultores.

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