Nos 2500 hectares da herdade situada em Coruche, o sobreiro é rei e senhor. Daqui sai uma produção média anual de 20 mil arrobas de cortiça (300 toneladas), que é retirada alternadamente de diferentes parcelas agrícolas.



Nos 2500 hectares da herdade situada em Coruche, o sobreiro é rei e senhor. Daqui sai uma produção média anual de 20 mil arrobas de cortiça (300 toneladas), que é retirada alternadamente de diferentes parcelas agrícolas.







O proprietário da herdade, António Gonçalves Ferreira, entende que as boas práticas florestais são uma necessidade e encara o prémio, lançado este ano pela Corticeira Amorim, como um reconhecimento do que já era feito na Machoqueira.






«Encaro este prémio como uma distinção da sociedade civil para todos os subericultores que têm trabalhado a nível dos montados e permitiram que a área de montado de sobro duplicasse em cem anos. Passámos de 350 para 700 mil hectares», declarou à Agência Lusa, numa visita à propriedade.






Com produção certificada desde 2008, o engenheiro agrónomo explica que a adesão ao FSC (Forest Steardship Council), um esquema de certificação internacional 'apadrinhado' por organizações ambientalistas como a WWF surgiu como uma consequência natural das necessidades da indústria.






«Isto tem de ser visto em termos de fileira, desde a produção à transformação industrial. A certificação nasceu das necessidades da indústria, porque era importante haver um reconhecimento da rolha de cortiça».






No Machoqueiro a diversidade da paisagem revela-se à medida que o jipe avança nos caminhos enlameados: atravessa-se a área de sobreiros, surge uma mancha de eucaliptos, mais à frente emergem os pinheiros.






Pelo meio do campo, finalmente verde graças à desejada chuva que caiu nas últimas semanas, pastam também grupos de bovinos.






Mas na herdade seguem-se boas práticas e nada é feito por acaso: como o pisoteio excessivo dos bovinos é prejudicial ao montado, o gado muda regularmente de pastagem.






A sustentabilidade dos solos desta herdade, arenosos e pouco férteis, é reforçada por outro lado com a adopção de práticas de baixa ou nula mobilização, o que significa que há sempre parcelas em pousio.






Enquanto explica como tudo funciona de forma integrada neste ecossistema, António Gonçalves Ferreira mostra alguns equipamentos de apoio aos estudos que estão a ser desenvolvidos na propriedade, como a torre de carbono a partir da qual investigadores do Instituto Superior de Agronomia (ISA) medem a quantidade de CO2 que as árvores da herdade capturam, cumprindo a sua função de sumidouro de carbono.






O responsável do programa florestal da WWF, Luís Silva, destacou as «técnicas aplicadas à protecção dos solos» e a identificação das «áreas de alto valor de conservação», como as zonas de matos e as zonas húmidas como algumas das virtudes da Machoqueira no que respeita à preservação da biodiversidade.






Reconhecer o valor dos serviços prestados pelos ecossistemas é um dos apelos deste ambientalista que acrescenta que a questão «está na ordem do dia».






«A cortiça é o principal produto do montado de sobro, mas a boa gestão dos proprietários traz muitos outros benefícios que não estão directamente internalizados no preço como a gestão dos solos, recursos hídricos ou conservação da biodiversidade», salientou.






Esta recompensa pode assumir várias formas entre as quais a certificação: «pode ser um mecanismo indirecto, através do reconhecimento do mercado».






Mas Luís Silva acredita também no desenvolvimento dos mercados ambientais, sejam eles mercados públicos, em que o estado cria mecanismos directos de pagamento, como os fundos de carbono ou fundos de biodiversidade, ou mercados privados, como o das licenças de emissões de CO2.






«Julgo que já estamos a assistir ao início do desenvolvimento dos mercados ambientais. Os mercados de carbono foram pioneiros, mas no futuro existirão igualmente oportunidades para os mercados da água ou da biodiversidade que serão concretizados através do estado ou de iniciativas do sector privado», diz o responsável.



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