VIVEIROS DE OLIVEIRAS
Variedades: Galega, Cobrançosa, Picual, Maçanilha etc, destinadas à plantação de olivais modernos intensivos. Ensaios feitos com compassos superint
ensivos, Vária experiências e resultados. Métodos de plantio mais económicos. A cultura da oliveira, a poda, o amanho do olival, observação, acompanhamento da gafa e captura de insectos. O azeite, como oferta ou lembrança.
A CULTURA DA OLIVEIRA
A Oliveira é uma espécie característica do clima Mediterrâneo. No entanto agora está espalhada por todo o mundo.
O Homem cedo percebeu que a Oliveira era uma árvore muito rústica, e que dela podia tirar valiosos proveitos. Assim, embora característica deste clima, foi multiplicada e levada para todo o lado.
Povos muito antigos já utilizaram o azeite, tanto na alimentação como na cosmética. As azeitonas eram parte importante na dieta tanto em fresco como salgadas para se conservarem.
A Agricultura Tradicional
No Ribatejo o Olival tradicional é principalmente da variedade Galega. Todos conhecemos árvores centenárias, com pés muito grossos, muita madeira, que continuam em produção. São árvores muito persistentes à passagem dos anos, resistem aos mais variados fenómenos da Natureza. Normalmente depois de um incêndio aparece nova rebentação e depois de dois ou três anos volta a produzir, embora com o tronco todo queimado por dentro. Ao logo dos anos os pés dividem-se no sentido vertical, ficando como que cordas, dando origem a 4 ou 5 árvores independentes. Pode-se dizer que a Oliveira é eterna.
No entanto, as árvores estavam dispersas, com baixas densidades cerca de 40 árvores por hectare e na mesma terra era feita outra cultura, muitas vezes o cereal.
Oliveira Galega milenar
bonsai com 15 anos
Os amanhos limitavam-se à colheita da fruta, e ao corte de rama para o lume. Como dentro dos Olivais se faziam outras culturas era espalhado estrume dos animais que eram utilizados nos amanhos o que alimentava também a árvore. A mobilização da terra era efectuada por causa das outras culturas e não da Oliveira, e só superficialmente com pequenas alfaias, que nunca danificavam as raízes.
Sem se aperceber, o agricultor controlava pragas e fungos, porque quando fazia um desbaste, tanto para colher a azeitona como para rama, ele tirava madeira transportando as doenças que queimava no forno do pão ou na lareira. Por outro lado a baixa densidade das árvores dificultava a multiplicação das doenças e parasitas.
Safra e Contra Safra:
A Safra quando havia azeitona; durante o varejo eram destruídos os pequenos ramos crescidos nesse ano impossibilitando a produção na outra campanha, o que dava origem à Contra Safra. A árvore no ano seguinte estava de folga, tinha estrume no pé, não tinha azeitona para alimentar, então cresciam lançamentos novos e saudáveis, cheios de força prometendo boa colheita no outro ano, a Safra.
Quem não reparou ainda nas Oliveiras das balsas? ninguém trata delas ou lhes apanha os frutos, ninguém mobiliza a terra. No entanto carregam com frequência. O solo debaixo delas está coberto de Matéria Orgânica, resultado do folhedo caído das silvas, do apodrecimento das ervas e folhas etc. Até a humidade junto ao pé é maior.
Cultura Intensiva
Modernamente a cultura da Oliveira intensiva veio modificar em muito o anterior conceito. As densidades são da ordem das 150 até 350 árvores por hectare, sendo preconizada 250. É claro que se não pode cultivar nos vãos, há ensombramento, alem de se não poder amanhar o Olival na presença de outra cultura.
Com uma população elevada é natural que as doenças e pragas apareçam, daí que é fundamental tratar preventivamente.
Embora a Oliveira seja uma árvore tradicionalmente de sequeiro, agradece alguma água em períodos críticos, que são pelo menos a fecundação das flores, lenhificação do caroço e o engrossar da fruta, isto se não houver humidade suficiente.
Em quase todas as variedades a flor/fruta aparece nos ramos que se desenvolveram no ano anterior, assim, se no período de crescimento activo, lhe for facultada alguma água e nutrientes, os ramos serão maiores e haverá mais espaço para produzir. Mas quanto mais fruta houver mais necessidade há de água... aparece a rega gota a gota.
Agora uma dúvida, a Oliveira não é de regadio quanto é que devo regar?
Dependerá do tipo de solo, e da evapo-transpiração. Em solos argilosos a humidade mantém-se com mais facilidade que nos arenosos. Uma observação atenta do agricultor é a melhor receita. No entanto se tiver uma instalação de gota a gota deve aproveitar para fertilizar o solo.
A experiência diz-me que nos meus terrenos, agilo-calcários, devo reduzir ou parar a rega depois da fruta cheia ainda no mês de Agosto, se este não for quente, sob pena de ter uma funda muito baixa, o que encarece a extracção do azeite. No entanto devo estar atento e se necessário disponibilizar alguma água mesmo em Setembro ou Outubro.
A Oliveira é bastante exigente em Potássio Fósforo e Boro, não esquecendo o Azoto que deve ser controlado pois em excesso aumenta a sensibilidade da Azeitona a doenças e atrasa a maturação.
Assim nos primeiros tratamentos fitossanitários aplico Azoto e Boro até à floração, o Azoto deve continuar juntamente com Fósforo e Potássio até cerca do mês de Junho, devendo depois cortar o Azoto e reforçar o Potássio no acabamento da fruta. De qualquer modo não se pode dar uma receita o agricultor deve fazer sempre análises foliares e adubar em consonância.
Nos anos anteriores com adubação controlada, as análises folheares efectuadas no fim da Primavera, indicam que o Potássio está baixo e o Boro também.
Cultura Super-intensiva
Este método recente está a ser implantado em Portugal desde à 4 ou 5 anos. é um sistema em que as densidades de plantas são na ordem das 2000 árvores por ha, em compassos de 3,5m-3,7m entre linhas e 1,3m-1,5m entre árvores. Existem experiências com variedades nacionais que, por serem recentes ainda não apresentaram resultados.
Eu tenho ensaios com a variedade Cobrançosa e de Maçanilha em vários compassos.
As podas são um dos problemas a resolver, pois não há experiência e portanto não há técnicos a quem recorrer.
Claro que os tratamentos fitossanitários terão de ser mais intensos, pois a densidade populacional é muito maior. No entanto são aplicados com os mesmos acessórios que nas vinhas, que normalmente estão ao alcance da maioria dos agricultores.
AMANHO DO OLIVAL
Verifica-se nesta zona que os ataques de de Olho de Pavão, Traça, Margaronia, Mosca e Gafa são muito evidentes, talvez se deva à alteração climática notória, nestes últimos anos, em que a Primavera vem mais cedo, e o Inverno é mais quente, propiciando ao desenvolvimento dos fungos e pragas.
Nos nossos Olivais praticamos a Protecção Integrada.
COMO PROCEDEMOS
1º- Olho de Pavão:
O olho de pavão é um fungo que se desenvolve em condições de humidade e temperatura normais na Primavera e no Outono. Depois da poda é conveniente fazer um tratamento com cobre. Já experimentei cobre em gel, tem um maior poder de aderência o que nesta altura do ano com a possibilidade de chuva tem uma certa vantagem.
Neste tratamento aproveito e faço em simultâneo uma adubação foliar. Nesta adubação com Azoto, Fósforo e Potássio, junto Boro, nutriente fundamental para uma boa floração e vingamento do fruto.
2º- Caruncho
Preventivamente, durante a poda no mês de Fevereiro, deixamos um ramo recém cortado com 3 a 7 cm de diâmetro, debaixo da árvore; no Olival tradicional 1 por Oliveira, no intensivo 1 por 25 Oliveiras. Verifica-se no princípio de Março que o Caruncho começa a fazer ninho, preparando-se para a postura. Estes ramos "iscos" devem ser queimados um mês depois para evitar que os insectos nascidos saiam.
3º - A Traça
A Traça apresenta-se em três formas diferentes.
A Filófaga que se alimenta da folha:
Esta traça passa o Inverno dentro das folhas da Oliveira. Não causa estragos significativos, e nota-se a sua presença pela cicatriz em meia lua que aparece na folha.
A Antófaga que se alimenta de estames e pólen das flores:
Aqui os estragos ainda não são significativos dada a grande quantidade de flores que a Oliveira produz. No entanto em variedades de menor inflorescência já será discutível. Esta é a melhor oportunidade de eliminar as traças, dado que elas se encontram expostas, e um insecticida de contacto poderá ser eficaz. Nas variedades para azeite normalmente não se combate a Traça nesta fase, a não ser que nesse ano a inflorescência seja menor.
A Carpófaga que se alimenta da amêndoa do fruto, (o interior do caroço).
Esta é a traça que causa maiores prejuízos. Deposita o ovo junto ao pé da azeitona recém vingada quando está do tamanho do grão de pimenta. A larva eclode, e dirige-se para o interior do caroço em formação; e aí vive alimentando-se da amêndoa. Quando sai do caroço já uma lagarta grande, segue o mesmo caminho de volta até ao local por onde entrou. Acontece que o orifício que abre para sair na zona do pé da azeitona é suficientemente grande para causar uma fraqueza junto ao pedúnculo, causando então a segunda e a mais prejudicial queda de fruta. Agora já não há nada a fazer. A traça cai então para o chão e aí se desenvolve até insecto adulto.
O combate à Traça deve iniciar-se de acordo com os dados recolhidos nas armadilhas que permitem a contagem de adultos e indicam quando será oportuno tratar.
Não se pode seguir um calendário com rigor, pois a população de traça depende de factores alheios ao homem. É fundamental seguir a evolução das capturas.
4º - A Mosca
A mosca inicia a postura quando a azeitona começa a mudar de cor, de verde escuro para claro. Nessa altura o fruto fica mais macio, o que facilita a perfuração da pele. No nosso clima é cerca de meados de Setembro; ... mas, nunca fiando.
A melhor maneira para se decidir quando será necessário um tratamento contra a mosca é colocar armadilhas cromáticas ou/e com feromona para onde as moscas são atraídas. Com contagens periódicas poderemos fazer um gráfico do aumento da população de mosca, e estar atento ás picadas nos frutos.
Se a quantidade de capturas se justifica, aplico um insecticida de contacto e ingestão com um atractivo, pulverizo de três em três carreiras do lado do Sul. Esta aplicação deve ser efectuada cedo de preferência nos dias frescos para que o produto não seque rapidamente. As moscas atraídas bebem o insecticida e morrem sem causar danos.
Se mesmo assim as capturas de insectos não diminuírem ou se se verificar a existência significativa de picadas, deve-se tratar segundo as instruções do técnico da Protecção Integrada que segue o olival, usando normalmente um insecticida sistémico autorizado.
A mosca pica a azeitona depositando nela um pequeno ovo que dá origem a uma larva. Esta larva alimenta-se da polpa fazendo uma galeria. Mais tarde, a larva forma pupa de onde nasce uma nova mosca que abre um orifício para sair da azeitona. Por este orifício de saída entra o ar dando origem a oxidações dentro do fruto, o que se traduz em aumento de acidez do azeite.
Se as temperaturas forem elevadas as larvas poderão morrer, o que evita um tratamento.
5º - A Gafa
A Gafa está muito relacionada com a quantidade de mosca porque o orifício de saída da mosca, é também uma porta de entrada para a Gafa. Assim deveremos estar muito atentos, quando for tempo disso, aos ataques de mosca.
Efectuo normalmente dois tratamentos contra a gafa cobre na forma de oxicloreto.
6º - Margaronia
A Margaronia Unionalis é um insecto que ataca a oliveira sob a forma de lagarta. Ataca os extremos tenros da rebentação, causando muitos estragos principalmente nas plantações novas, dificultando a condução das arvores. Pode também atacar os frutos durante os meses de Agosto e Setembro, se a população de lagartas for grande.
É possível encontrá-la durante todo o ano em estado larvar; mas é principalmente durante os meses quentes que aparecem os adultos e há posturas. Em plantas pequenas é frequente a lagarta descer até ao chão e enterrar-se para passar o dia, coisa que não acontece num modo geral em árvores grandes, em que a larva tece um casulo de teia geralmente numa folha, juntando os bordos desta onde se abriga durante o calor.
As borboletas são de cor branco prateado, com uma bordadura exterior acastanhada desde a cabeça até à ponta das asas. Tem uma envergadura de cerca 3 cm. Reconhece-se facilmente pelo voo rápido e decidido, contrariamente ao voo das borboletas que é saltitante como que a hesitar a direcção a tomar. Os insecticidas de combate a outras pragas devem controlá-la.
7º- Euzophera Pinguis
A Euzophera Pinguis é um insecto que vive na casca da Oliveira, onde escava galerias e se alimenta. Podemos dizer que se trata de uma nova praga, pois os registos de capturas significativas são relativamente recentes assim como os danos. Observa-se que uma árvore está com vigor de um dos lados e do outro apresenta folhas amareladas, principalmente depois da Primavera, voltando a recuperar depois da colheita, até que ao fim de dois ou três anos definha completamente.
Se procurarmos bem, no tronco junto a alguma ferida, debaixo da casca, encontramos a tal galeria, e até alguma serradura presa com fios de teia. Se escavarmos com uma faca, encontramos facilmente uma larva, normalmente gorda com comprimento entre 0,5mm e 2cm, de cor clara, se lhe tocamos mexe-se energicamente procurando fugir.
Um Olival vigoroso resiste muito mais aos ataques dos parasitas.
A Poda
Antes de podar devemos ter a certeza de que o nosso material está em bom estado. Quer dizer; desinfectado e afiado.
A desinfecção é muito importante para evitarmos a propagação de doenças, as tesouras e serrotes devem ser lavados com cuidado. Quando estamos em zonas mais infectadas " por ex. tuberculose" a desinfecção deve ser de cada vez que mudamos de árvore. O material deve ser mergulhado numa solução desinfectante. formol comercial a 4 % (formalina), ou numa solução de lixívia ( 1l de lixívia para 2l de água). O corte deve ser uns cm abaixo da doença visível.
Atenção a rama de poda doente deve ser queimada o mais rapidamente possível e não guardada para levar para casa ou destroçada com máquina.
A lâmina deve estar afiada para que o corte seja o mais limpo possível e liso.
Poda de Formação
Em condições normais de luz, uma árvore cresce naturalmente na vertical e até determinada altura, dependendo da espécie, se não for contrariada, pelo vento ou por outros factores como a mão do homem.
Todos conhecemos as Oliveiras antigas tradicionais em que sobre um imponente pé de 2,5m de altura se apresenta uma copa cheia de vigor. Isto é o normal do crescimento para a árvore adulta, mas não é com certeza o que se pretende para que seja mais rentável. Assim é necessário introduzir a Poda de formação e mais tarde as podas de limpeza e manutenção. Todos compreendemos que não vale a pena estarmos a criar madeira se o que pretendemos é folhas, ramos produtivos e azeitonas.
O que nós queremos é ter copas com uma grande exposição ao Sol, que tenha renovo produtivo, que não seja demasiado alta para que os tratamentos cheguem a todas as folhas e frutos e que não seja demasiado cara a colheita.
Convém que a árvore seja mantida atada ao tutor de modo a manter a verticalidade. A Oliveira vai crescendo tanto em altura como em volume, adquirindo cada vez mais área de exposição Solar.
É fundamental pensamos que a Oliveira vai durar muitos anos. a colheita vai continuar a ser efectuada por outras gerações. Deveremos pensar na colheita mecânica. Então o pé deve ter altura que baste para que uma pinça mecânica o vibre.
É considerado um pé suficiente, com cerca de 80 ou 100cm. A esta altura já pode entrar uma máquina vibradora e agarra-lo. Portanto vamos cortar a árvore a esta altura sobre uma divisão com dois ou três ramos. São estes os ramos que formarão a forqueta que suporta a copa da árvore. É daqui que sairão os ramos produtivos no futuro.
Eu não podo antes dos dois, três anos ou mais. Muitas vezes a oliveira já produz alguma azeitona. Deverá ter uma forma bem arredondada, "cheia", bem composta, deverão ver-se os futuros ramos da divisão, bem definidos, e muito importante, eles devem ser já grossos o suficiente, lenhosos, para que não sejam "tentados" a ganhar verticalidade. Isto consegue-se mantendo durante os primeiros anos alguma rama dentro da oliveira, é este ensombramento que faz com que os ramos abram procurando luz, só temos de esperar que lenhifiquem.
Atenção as plantas regadas; são sempre mais macias do que as de sequeiro, normalmente são mais adubadas, além de crescerem mais depressa, também são mais tenras. Há que ter em atenção estes factores.
A árvore fica assim com um único corte mais um ou dois anos. Já produz azeitona. Nesta altura é só despontar os ramos que estão a crescer demasiado, limpar os "ladrões" ou "chupões" que são os ramos que crescem no interior e na vertical e tiram força aos produtivos. Devemos saber que todos os cortes devam ser efectuados com a maior precisão possível, bem assentes e inclinados para que escorra a água da chuva. O ideal seria serem desinfectados. Desinfectar as grandes superfícies de corte com uma pasta de calda bordalesa, 1kg de sulfato de cobre, 2kg de cal viva e 5l de água; A Oliveira não deve estar muito cheia de rama deve haver arejamento. Muito cheia facilita a existência da Cochonilha e a consequente Fumagina.
Agora a nossa Oliveira já produz. Passaram-se uns anos, tem sido adubada, mediante as análises de terra e de folhas. Quando a produção baixar e quando se verifique falta de crescimentos, quando a planta já toca na vizinha ou quando já está à sombra de outra, há que efectuar poda de renovo.
Poda de Renovo
A Poda de Renovo, como o nome indica, serve para renovar a zona produtiva da Oliveira.
As flores aparecem normalmente nos ramos crescidos no ano anterior, dependendo das variedades, mas sempre nos raminhos recentes. Assim temos de ter raminhos novos. Não devemos parti-los no varejamento, por ex.
A nossa poda de renovo deve ser efectuada em fases. Não me parece bem efectua-la num só ano. Perdemos produção durante bastante tempo.
Como a nossa forqueta tem três ou quatro ramos principais, vamos cortar um deles. Cortar com o comprimento máximo de 50-70cm, conforme a planta se é pequena ou grande. Mas o ramo que vamos cortar deve ficar num quadrante a Sul, para que nunca fique à sombra dos outros. É assim que se consegue que a nova rebentação cresça bem, com luz.
Em redor do corte vão aparecer novos "olhos", rebentação nova, aparecerá um feixe de ramos em muitos casos em todo o tronco. Deixamos crescer o suficiente para serem seleccionados. Esta selecção deve ser efectuada, alguns mostram que são mais fortes que outros e são estes últimos que se tiram, cabe ao agricultor ser um pouco crítico e calcular a quantidade que fica. Já tem experiência de uns anos.
Normalmente com dois anos já dizem o que valem e está na altura de cortar outra pernada. Aquela que não ficar à sombra dos outros ramos. Procedemos de igual forma, para a/as outra/s.
Atenção com a poda com serrote ou serras mecânicas, muitas vezes o ramo lasca e parte, deve ser efectuado sempre um corte por debaixo para prevenir que este estale.
Tenho encontrado Oliveiras que decorridos 10 anos se entrecruzam, metendo os ramos por dentro umas das outras. Tem a haver com o compasso, o terreno, a variedade, a adubação, rega e cuidados vários. Cada variedade tem um volume próprio em adulto. Se quisermos alterá-lo teremos algumas dificuldades a ultrapassar. Por isso é que só algumas variedades se adaptam a olivais superintensivos, são variedades com características próprias.
Quando nos metemos debaixo da Oliveira, olhamos para cima e vemos muita rama, muito pau e as folhas só de volta no topo, alguma coisa está mal. Há que podar sem dó.
Uma coisa é certa as flores aparecem em ramos novos e com muita luz.
Ainda há outra poda, a de recuperação de árvores velhas, nela falaremos mais tarde.
A PODA NA VARIEDADE GALEGA
A variedade Galega é a mais tradicional de todas as variedades. Aparece por todo o país e nos mais diversos compassos; mais apertados no norte e mais espaçados no Alentejo. São normalmente árvores de grande porte com troncos altos e muitas delas muito velhas.
Foram-se adaptando às diversas regiões, climas e solos, podendo apresentar diferenças na sua morfologia de tal maneira que segundo alguns autores haverão variedades identificadas com outros nomes que não serão mais do que Galegas. Esperemos que o tão falado projecto do genoma da oliveira venha a identificar sem dúvida aquela teoria.
O seu estudo começou à alguns anos, esteve parado, recomeçou e agora estuda-se a sua multiplicação por micro-propagação, em virtude de esta variedade ser muito difícil de multiplicar em estufas de enraizamento.
Antigamente o agricultor aproveitava estacas “tanchões” para fazer vedações, de madeira e mais recentemente com arame. Estas estacas eram espetadas no solo bem fundas com uma marreta, verificava-se que algumas delas dois ou mesmo três anos depois criavam raízes e tornando-se arvores. Terá sido assim que se multiplicou a variedade galega nos primeiros tempos. Alem disso o agricultor cedo percebeu que o Zambujo tinha grande afinidade genética com ele e começou a enxerta-lo.
No entanto a maioria destas oliveiras que se encontram pelo país fora tem troncos muito altos.
Este é um problema que os agricultores tem encontrado… “a Poda”. A Galega tem um grande vigor. Embora não tenha grande “toiça” , apresenta uma grande resistência à adversidade do clima, resiste bem à seca e à humidade “segundo alguns autores”, neste aspecto quanto a mim, a Conserva de Elvas é melhor, é um bom cavalo para zonas encharcadas.
A Galega parece não necessitar de grandes cuidados para se desenvolver bem, não me refiro a produzir bem. A rebentação da Galega é abundante, com ramos muito rijos que, ao procurarem a verticalidade, ficam como que vassouras viradas para cima, todos amontoados.
Ora o que se procura nas plantações modernas é que a oliveira tenha um pé baixo, cerca de 80 a 90 cm, para que permita a colheita mecânica, e não um pé de 2 ou mais metros que dificultam a colheita. Assim a cruzeta deve ficar baixa, onde existir boa rebentação; o que se passa é que ao cortar o fuste à altura de 80cm a Galega reage de uma forma muito vigorosa e todos os ramos produzidos na ferida do corte, crescem para cima, ao invés de serem inclinados para abrirem a oliveira. De novo é necessário intervir, cortando para abrir. E eles voltam a crescer com a mesma vontade e na mesma direcção, para cima.
Antigamente, como refiro na página da cultura da oliveira, a azeitona era colhida sobre escadas altíssimas, com varas, ou os ramos carregados de azeitona eram pura e simplesmente cortados para o chão, de onde era retirada a azeitona. Claro que estes ramos faziam falta para produzir nos anos seguintes, dando origem à “Safra e Contra Safra”. Depois a poda era feita quase que em “Cabeça de Salgueiro”, em que a oliveira ficava somente com meia dúzia de folhas em cima daquele tronco majestoso.
Por quê? Qual a razão desta técnica?
Será que alguém tem resposta?.
Eu penso que a resposta está nas características desta variedade.
O agricultor deve ter percebido que era mais fácil colher a azeitona cá em baixo, do que em cima de escadas de 8m…
Talvez este pé tão alto e vigoroso se devesse à grande personalidade da Galega, que primeiro tinha de gastar as energias num tronco alto e grosso, para que depois se deixasse dominar.
Diz-se que o Olival não era uma cultura de carácter principal, por aparecerem outras debaixo dele; batata, grão, feijão, trigo, etc. Talvez não tivesse sido assim… apareciam culturas debaixo porque havia espaço, que ao ser aproveitado, mobilizava a terra superficialmente, arejando-a e estrumando-a, e em compensação a oliveira reagia muito bem, com boas produções ano sim, ano não. Era o Dois em Um da época.
O azeite desde há muito, era um produto importante nas trocas comerciais com outros países, acredito pois que o agricultor se lhe dedicava e por isso acarinhava a oliveira.
Quanto a mim, a poda da Galega deve ser sempre mais tarde do que noutras variedades, deixar sempre três ou quatro anos sem podar, para que o centro da oliveira tenha muita rama e obrigue os ramos laterais a fugir da sombra e assim abrirem mais um pouco. Só devemos podar quando aqueles ramos estiverem suficientemente lenhificados e inclinados para não tenderem a voltar à posição vertical.
A plantação foi feita em Julho, no verão de 2001, com muito calor.
Foi efectuada uma ripagem longitudinal, somente no local das futuras carreiras com cerca de 2 metros de largura. Depois incorporei com um subsolador, adubo e estrume paletizado. As plantas foram para o terreno com altura compreendida entre 40 e 50cm. O buraco foi aberto com um hidro-injector utilizado normalmente para a plantação de bacelo.
As Oliveiras saíram do viveiro naquela altura do ano em crescimento activo. Como a plantação foi no Verão e o crescimento não foi interrompido com o Inverno, com o frio ou com a chuva, continuaram a crescer e na Primavera seguinte já havia árvores com cerca de 1,5m de altura.
Tivemos problemas com a Margarónea, o que dificultou bastante a condução da árvore, e atrasou o crescimento.
A rega foi comedida; efectuada com sistema de gota a gota, onde se incorporaram nutrientes. O tubo de rega na 3ª Primavera foi afastado cerca de 1m da linha das oliveiras para o lado do vento predominante, de modo a incrementar o desenvolvimento de raízes desse lado e fixar melhor a Oliveira, dado que esta zona é muito ventosa e evitar o derrube das plantas; ao mesmo tempo fomenta-se a exploração de terrenos novos.
A deserbagem é feita com glifosato em linhas debaixo da copa e nos vãos efectua-se uma passagem de gadanheira, sempre que a erva dê corte.
Não usamos grade de discos ou outra máquina que rasgue a terra e a cobertura vegetal tem-se verificado de grande utilidade no Inverno, pois permite a entrada de máquinas mesmo depois de grande precipitação, evita erosão e consequente abertura de regos pela escorrência da água.
No ano passado a produção foi reduzida cerca de 2kg por árvore, o que tornou a colheita cara, dada a mão de obra.
Este ano de 2005 a produção está em cerca de 3000kg/ha. Cada pessoa apanha com a máquina cerca de 350Kg por dia.
Mesmo com a chuva que tem caído a azeitona produzida deu 18% em azeite de altíssima qualidade.
Vamos Plantar uma Oliveira
A Oliveira é uma árvore de clima Mediterrâneo habituada ao calor e a chuvas episódicas. Não gosta de água em demasia e suporta bem a falta dela. Não aprecia o frio exagerado embora o suporte bem aproveitando esse tempo para descansar e recuperar da energia despendida no ano anterior,
É nesta altura que utiliza grande parte das reservas de nutrientes que foram disponibilizados na anterior campanha, por isso a colheita não dever ser muito tardia, para dar tempo de recuperação.
A conclusão a que cheguei no fim de plantar Oliveiras de diversas maneiras, é que a melhor altura para efectuar a plantação não é de maneira nenhuma o Inverno.
-- Como plantar
Nos fins da Primavera, depois do frio passar, em que os dias já são maiores e a chuva já deixa trabalhar, o terreno deve ser mobilizado pelo menos na linha da plantação, ripado do sentido longitudinal e depois gradado para uniformizar os torrões. Como refiro da página das Novas Plantações, tenho optado por plantar durante o Verão, pois posso controlar com segurança a água junto às raízes.
O método tradicional é o seguinte.
Efectua-se uma análise de solo para verificar a riqueza do terreno, faz-se se necessário um correcção com fósforo, potássio e matéria orgânica, segue uma ripagem cruzada que incorpora os nutrientes. "Em minha opinião é desperdício adubar todo o campo nesta altura pois as plantas não irão usufruir deste abono a não ser quando forem grandes e quanto à matéria orgânica se for um terreno calcário ao fim de 3 ou 4 anos não está lá nada", depois uma gradagem para uniformizar o terreno. A marcação do local onde vai ficar a árvore é feita com umas estacas ou canas. A abertura do buraco é feita com uma broca, atenção ao uso de brocas em terrenos muito argilosos pois pode vidrar o terreno ficando a cova como uma garrafa, vedada, causando problemas à infiltração do excesso de água, podendo ser causa de morte em muitos casos, por asfixia radicular, com uma retro escavadora ou com a abertura de uma vala longitudinal.
No fundo da cova deita-se o adubo que for recomendado pelo técnico, normalmente um composto de azoto, fósforo e potássio, duas forquilhas de estrume bem curtido e uma pazada de terra da superfície. Deve-se misturar bem tudo com um enxada, depois coloca-se uma mão travessa de terra para protecção da planta da zona caustica onde estão os nutrientes. As raízes devem procurar os nutrientes em profundidade, não me parece bom disponibilizar adubo à volta da raiz.
A Oliveira deve estar regada, retira-se o saco se for caso disso, e coloca-se dentro da cova de modo que o tronco fique na vertical. Tapa-se a cova de novo usando terra da superfície e deixa-se uma caldeira para a rega.
A água que se deve deitar em cada árvore serve para aconchegar a terra às raízes e humedecer toda a zona envolvente. Deve-se colocar um tutor e uma rede protectora de roedores, que simultaneamente proteja dos herbicidas. A Oliveira deve ser atada com um atilho de plástico, suficientemente elástico que não danifique o tronco ao fim de um ou dois anos.
A primeira rega deve ser franca, mas as regas seguintes devem ser menores, sempre que a terra necessite, mas deixar secar uma mão travessa de terra é aconselhável. Se não se exagerar na água a Oliveira procura terrenos mais frescos e as raízes afundam, se pelo contrário se der muita água alem da possibilidade de asfixiar a Oliveira, ela trona-se preguiçosa ficando as raízes muito superficiais, sem explorar terrenos novos perdendo a capacidade de se fixar ao terreno, podendo mesmo tombar no Inverno com um vento mais forte.
Nas regas seguintes durante o período de crescimento vegetativo pode incorporar dissolvido um adubo à base de fósforo para ajudar o desenvolvimento radicular.

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