Portugal é um dos maiores produtores de alfarroba
Portugal está entre os quatro maiores produtores de alfarroba do mundo, gerando cerca de 40 toneladas por ano
Indústria alimentar, cosmética, farmacêutica e, até,
biocombustível. As aplicações da alfarroba, também conhecida como o "ouro negro
do Algarve", são infinitas. Neste momento, Portugal é um dos maiores produtores
do mundo, gerando cerca de 40 toneladas por ano que são vendidas a indústrias
nacionais e estrangeiras.
por Patrícia Maia
Terá sido durante a ocupação árabe que a Alfarrobeira chegou a Portugal e ao resto da Europa mediterrânica. O seu fruto era valioso para a cultura árabe que, aliás, se baseava no peso muito constante da sua semente para pesar diamantes, dando origem à medida que ainda hoje se usa para pesar esta pedra preciosa: os quilates.
Apesar das suas inúmeras aplicações,
até há pouco tempo, os portugueses apenas usavam a alfarroba para alimentar o
gado. Com o objetivo de mudar esta realidade surgiu, em 1985, a Associação
Interprofissional para a Produção e Valorização da Alfarroba (AIDA). Sediada no
Algarve, a principal região onde ainda hoje se produz alfarroba, a AIDA tem
vindo a apostar no apoio à produção, à exportação e, sobretudo, à investigação
deste fruto.
"O público em geral desconhece as utilizações mais nobres da semente e da polpa", explica ao Boas Notícias Pedro Correia, professor da Universidade do Algarve e presidente da AIDA, sublinhando que a alfarroba tem aplicações na indústria cosmética, na farmacêutica e na indústria alimentar. "O espessante E410, por exemplo, é na realidade farinha da semente de alfarroba, e é o preferido de algumas das maiores marcas da indústria alimentar por ser mais saudável do que outros espessantes do mercado", sublinha.
Culinária, biocombustível e combate a doenças
As alfarrobeiras têm ainda a vantagem de serem árvores "fáceis", já que não exigem muita água e são resistentes a elevados teores de calcário o que evita a necessidade de aplicar adubos na terra. Por outro lado, com a sua folha perene (que não cai) ajudam a "combater o efeito estufa, devido à sua elevada capacidade de sequestro de carbono", salienta o professor Pedro Correia.
A farinha da polpa da alfarroba é também muito recomendada na alimentação animal e humana devido ao seu alto teor de proteína, cálcio e fibras - funcionando, por exemplo, como um excelente e saudável substituto do tradicional chocolate na confeção de doces e sobremesas.

Há até uma investigação, premiada nos Green Project Awards de 2010, que aponta benefícios para a saúde. O estudo - realizado pelo Instituto Superior Técnico, o Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI), a Industrial Farense e a empresa Chorondo & Filhos -apostou na extração de poliferois (ácidos de última geração) da polpa de alfarroba para combater doenças como o colestrol e o cancro.
Além de todas as aplicações já referidas, a Universidade do Algarve desenvolveu, recentemente, uma tecnologia capaz de converter o açúcar da polpa em biocombustível, o que poderá contribuir para o desenvolvimento de uma alternativa viável, em Portugal, aos combustíveis fósseis. A mais valia da alfarroba neste processo, em relação aos outros cereais, é o facto de ser muito barata e muito rica em açúcares que são extraídos com poucos gastos de energia.
Portugal entre os maiores produtores mundiais
Com a ajuda da AIDA, efetuaram-se desde os anos 90 muitas novas plantações e investimentos nos pomares existentes. Neste momento, a região tem mais de 15 mil produtores (se incluirmos os pequenos proprietários agrícolas com terrenos com menos de 1 hectare) que produzem cerca de 40 toneladas por ano, vendidas, em média, a 0.30 cêntimos o quilo.
Entretanto, embora o consumidor comum não esteja muito sensível à sua utilização (até porque este fruto e os seus derivados não estão disponíveis na maior parte das superfícies comerciais), "a procura nacional do produto ao nível das indústrias é alta", garante Pedro Correia. Mas a alfarroba algarvia tem chegado, também, ao estrangeiro, com Portugal a exportar para a União Europeia, principalmente Reino Unido e Espanha, para os EUA e para países do Extremo Oriente.
Ainda que enfrentando as dificuldades habituais das associ
ações sem fins lucrativos, sobretudo ao
nível de financiamento, a AIDA acredita que Portugal, um dos quatro maiores
produtores mundiais - ao lado de Espanha, Itália e Marrocos - poderá tirar um
grande partido desta "árvore extraordinária" que, aos poucos, vai conquistando o
seu lugar nos mercados e na mesa dos portugueses.
por Patrícia Maia
Terá sido durante a ocupação árabe que a Alfarrobeira chegou a Portugal e ao resto da Europa mediterrânica. O seu fruto era valioso para a cultura árabe que, aliás, se baseava no peso muito constante da sua semente para pesar diamantes, dando origem à medida que ainda hoje se usa para pesar esta pedra preciosa: os quilates.
"O público em geral desconhece as utilizações mais nobres da semente e da polpa", explica ao Boas Notícias Pedro Correia, professor da Universidade do Algarve e presidente da AIDA, sublinhando que a alfarroba tem aplicações na indústria cosmética, na farmacêutica e na indústria alimentar. "O espessante E410, por exemplo, é na realidade farinha da semente de alfarroba, e é o preferido de algumas das maiores marcas da indústria alimentar por ser mais saudável do que outros espessantes do mercado", sublinha.
Culinária, biocombustível e combate a doenças
As alfarrobeiras têm ainda a vantagem de serem árvores "fáceis", já que não exigem muita água e são resistentes a elevados teores de calcário o que evita a necessidade de aplicar adubos na terra. Por outro lado, com a sua folha perene (que não cai) ajudam a "combater o efeito estufa, devido à sua elevada capacidade de sequestro de carbono", salienta o professor Pedro Correia.
A farinha da polpa da alfarroba é também muito recomendada na alimentação animal e humana devido ao seu alto teor de proteína, cálcio e fibras - funcionando, por exemplo, como um excelente e saudável substituto do tradicional chocolate na confeção de doces e sobremesas.
Há até uma investigação, premiada nos Green Project Awards de 2010, que aponta benefícios para a saúde. O estudo - realizado pelo Instituto Superior Técnico, o Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI), a Industrial Farense e a empresa Chorondo & Filhos -apostou na extração de poliferois (ácidos de última geração) da polpa de alfarroba para combater doenças como o colestrol e o cancro.
Além de todas as aplicações já referidas, a Universidade do Algarve desenvolveu, recentemente, uma tecnologia capaz de converter o açúcar da polpa em biocombustível, o que poderá contribuir para o desenvolvimento de uma alternativa viável, em Portugal, aos combustíveis fósseis. A mais valia da alfarroba neste processo, em relação aos outros cereais, é o facto de ser muito barata e muito rica em açúcares que são extraídos com poucos gastos de energia.
Portugal entre os maiores produtores mundiais
Com a ajuda da AIDA, efetuaram-se desde os anos 90 muitas novas plantações e investimentos nos pomares existentes. Neste momento, a região tem mais de 15 mil produtores (se incluirmos os pequenos proprietários agrícolas com terrenos com menos de 1 hectare) que produzem cerca de 40 toneladas por ano, vendidas, em média, a 0.30 cêntimos o quilo.
Entretanto, embora o consumidor comum não esteja muito sensível à sua utilização (até porque este fruto e os seus derivados não estão disponíveis na maior parte das superfícies comerciais), "a procura nacional do produto ao nível das indústrias é alta", garante Pedro Correia. Mas a alfarroba algarvia tem chegado, também, ao estrangeiro, com Portugal a exportar para a União Europeia, principalmente Reino Unido e Espanha, para os EUA e para países do Extremo Oriente.
Ainda que enfrentando as dificuldades habituais das associ




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