Salvação nacional de árvores centarias
Oliveiras e alfarrobeiras salvas da Via Infante de Sagres, no Algarve, são hoje vendidas para luxuosos
empreendimentos turísticos, campos de golfe e jardins privados de famosos.
Com a morte dada como certa, muitas destas árvores são pagas a peso de ouro e exportadas para o Dubai, China, Austrália, Alemanha,
Espanha e Marrocos.
"Compram-nos aos camiões e camiões carregados de oliveiras e vão para toda a Espanha principalmente para Alicante e Múrcia",
conta à Lusa Luís Piedade, sócio gerente do centro de jardinagem 'Ecossistemas', assegurando que 70 por cento do negócio do verde vai
para o mercado espanhol.
A exportação de oliveiras e alfarrobeiras (árvores não protegidas como é o sobreiro) está em fase de expansão e embora Espanha
venha directamente buscar aquelas árvores, a Internet é outra das soluções encontradas para estabelecer negócios com o Dubai, China ou
Austrália, conta Luís Piedade.
Enquanto a União Europeia dá a Portugal fundos para dizimar oliveiras centenárias para repor um olival de cultivo intensivo que
possa dar azeitonas mais que uma vez por ano, milhares de oliveira, mas também alfarrobeiras e medronheiros são salvos antes das obras
para depois serem vendidos.
"Contactámos o construtor da Via Infante (Algarve) e da Barragem de Alqueva (Alentejo) e aproveitámos as oliveiras e as
alfarrobeiras através do transplante", caso contrário seriam abatidas durante a construção das infra-estruturas, conta à Lusa Luís Piedade.
"Regamos, adubamos, damos beijinhos, pulverizamos com insecticidas e fungicidas e elas voltam a renascer", desabafa Rui Piedade,
levantando os olhos para uma alfarrobeira de quatro metros de altura e mais de cem anos de idade e que para venda ao público está
avaliada em 2.500 euros.
Muitas árvores da Via Infante e do Alqueva estão hoje a viver em empreendimentos de luxo no Algarve, como o Pine Cliffs, do grupo
Sheraton, Penina da Quinta do Lago ou na Quinta da Boa Vista, na Praia da Luz, em Lagos.
Os grupos hoteleiros não se coíbem de abrir os cordões à bolsa para pagar entre cinco a seis mil euros por uma oliveira milenar


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