DEZ ÁRVORES MONUMENTAIS PORTUGUESAS QUE VAI GOSTAR DE CONHECER



Em todo o país, existem hoje 470 árvores e 82 conjuntos de árvores classificados como tendo interesse público. A Wilder pediu ajuda a Raquel Lopes, investigadora da Universidade de Aveiro que está a trabalhar para um maior conhecimento e divulgação deste património natural, e que sugere 10 árvores monumentais portuguesas que vale a pena encontrar.
 Oliveira da ECOSSISTEMAS - ECOVIVEIROS em Lagos


1 – Carvalho-alvarinho de Calvos, Póvoa do Lanhoso (Braga)
Foto: ICNF
Foto: ICNF
Este carvalho-alvarinho (Quercus robur L.) é conhecido como o carvalho de Calvos e situa-se nessa freguesia, que pertence ao distrito de Braga. É considerado o mais antigo da Península Ibérica, com mais de 500 anos.

2 – Teixo do Museu do Brinquedo, em Seia (Guarda)
Teixo_Seia
Foto: Raquel Lopes
Este teixo (Taxus baccata) pode ser encontrado desde há 308 anos nos espaços do Solar de Santa Rita, onde fica o Museu do Brinquedo, em Seia. Apesar de não ser o mais antigo exemplar classificado em Portugal, representa uma relíquia dos bosques tropicais e subtropical da floresta da Laurissilva, que existia em território português no período do Terciário;

3 – Eucalipto da Mata Nacional de Vale de Canas, Torres do Mondego (Coimbra)
Foto: ICNF
Eucalipto da espécie Eucalyptus diversicolor Muller, esta árvore é considerada a mais alta da Europa, com uns impressionantes 72 metros de altura, equivalentes a um prédio com cerca de 24 andares. Apesar da falta de indicações no terreno, vale a pena procurar este exemplar com cerca de 140 anos, que sobreviveu a um grande incêndio que em 2005 consumiu 80% da Mata Nacional de Vale de Canas, em Torres do Mondego, Coimbra.

4 – Pinheiro de Tibães (Braga)
Foto: ICNF
Foto: ICNF
Considerado o mais alto pinheiro-bravo (Pinus pinaster Aiton) de Portugal e provavelmente do mundo, o “Pinheiro de Tibães” tem 47 metros de altura e 4,11 metros de perímetro à altura do peito.

5 – Eucalipto de Contige, Sátão (Viseu) 

Foto: Raquel Lopes
Foto: Raquel Lopes
O eucalipto de Contige (Eucaliptus globus Labill), localizado em Contige, Sátão, é um dos maiores eucaliptos classificados até ao momento em Portugal, com uns impressionantes 11 metros de perímetro à altura do peito.

6 – Oliveira de Santa Iria da Azóia, Loures (Lisboa)

Foto: ICNF
Em Portugal, podem encontrar-se vários exemplares de oliveiras (Olea europaea L. var. europaea) milenares, com mais do que 1000 ou mesmo mais do que 2000 anos. Destas, a mais antiga vive em Santa Iria da Azóia, concelho de Loures, e conta com uns respeitosos 2850 anos!

7 – Araucária-da-ilha-de-Norfolk, de Aveiro

Foto: Raquel Lopes
Foto: Pedro Farias
Quem visitar o Jardim Infante Dom Pedro, de Aveiro, pode ali encontrar uma araucária-de-Norfolk (Araucaria heterophylla (Salisb.) Franco) classificada de interesse público desde 1939, que tem actualmente 113 anos de idade. A flecha partida reduziu um pouco a sua altura, atualmente próxima dos 26,3 metros. Em Portugal, o primeiro exemplar terá sido plantado em 1842, no Parque do Monteiro-Mor, em Lisboa, tendo sido possivelmente uma das primeiras araucárias plantadas ao ar livre, na Europa.

8 – Cedro-do-Buçaco, do Jardim do Príncipe Real (Lisboa)

Foto: Raquel Lopes
Foto: Raquel Lopes
No Jardim França Borges, na Praça do Príncipe Real, encontra-se a primeira árvore a ter sido classificada em Lisboa: um imponente cedro-do-buçaco (Cupressus lusitanica Miller). Com 7,2 metros de altura e cerca de quatro metros de perímetro, foi classificado de interesse público em 1940 e constitui uma das 5 árvores classificadas que ali vivem. Com 145 anos, os seus inúmeros ramos sobrepostos nos ferros do caramanchão que sustentam uma copa larga, superior a 30 metros.

9 – Alameda de 258 freixos, em Marvão (Portalegre)

Foto: Raquel Lopes
Foto: Raquel Lopes
Dos dois lados da EN 246-1 (Portagem, ligação entre Marvão e Castelo de Vide), ao longo de 1,1 quilómetros, pode apreciar um conjunto de altos e frondosos freixos centenátios. Algumas árvores, mortas por causas naturais, foram substituídas por outras, enquanto noutros casos essa substituição não sucedeu para permitir espaços de escapatórias. Com 200 anos de idade, estes freixos apresentam uma larga lista pintada de cal branca nos seus troncos, embelezando a alameda  mais fotografada do país.

10 – Canforeira na Escola Superior Agrária de Coimbra  

Foto: Raquel Lopes
Foto: Raquel Lopes
Esta é uma das maiores canforeiras (Cinnamomum camphora  L.) existentes em Portugal, e muito possivelmente na Europa. Se quiser procurá-la, encontra-a na parte Norte da Escola Superior Agrária de Coimbra, em São Martinho do Bispo,  por detrás do apeadeiro da Comboios de Portugal (C.P.) de Bencanta. A sua idade é incerta, terá chegado depois de a Rota do Cabo ter permitido a introdução na Europa de novos produtos como o chá, o café, o tabaco, a canela, e claro está, da cânfora. O bálsamo “água de cânfora” era usado como relaxante muscular, em virtude da ação anestésica local, para além de outras utilizações.

Quer conhecer mais sobre o trabalho desenvolvido por Raquel Lopes? Pode ler aqui o artigo que a Wilder publicou sobre esta investigadora.
E se estiver curioso e pretender pesquisar sobre outras árvores e conjuntos de árvores monumentais, em Portugal Continental, pode consultar o Registo Nacional do Arvoredo de Interesse Público, gerido pelo ICNF.
Em Portugal Continental, há 470 árvores e 82 conjuntos de árvores classificados como de interesse público, apurou Raquel Lopes, bióloga da Unidade de Aveiro. A investigadora está a fazer um levantamento da informação e divulgação deste património e quer dá-lo a conhecer ao público em geral.

Em causa estão árvores e conjuntos de arvoredo que são considerados monumentos vivos, o que pode acontecer por diversas razões. Pela idade centenária ou mesmo milenar, por exemplo, ou também pelo tamanho gigantesco ou pela forma que adquiriram, fora do comum.
O objectivo da bióloga da Universidade de Aveiro, que está a realizar este trabalho no âmbito de um doutoramento, é construir uma base de dados com o levantamento da informação que tem vindo a recolher e divulgar a história destas árvores monumentais.
“Não nos podemos esquecer que as árvores monumentais são testemunhas vivas de acontecimentos histórico-culturais, constituem uma memória de hábitos, costumes, lendas e tradições, valorizam a paisagem e o património edificado e representam um elemento diferenciador e identitário de todo um povo e de uma região que importa preservar”, sublinha.
Um desses exemplos é a oliveira mais antiga em território português, localizada em Santa Iria de Azoia (concelho de Loures), que conta actualmente com 2.850 anos. Já em Coimbra, encontra-se a árvore mais alta da Europa: um eucalipto da Mata Nacional de Vale de Canas, com 72 metros de altura. E no Norte, em Vila Pouca de Aguiar, está classificado um carvalho com 500 anos.
No entanto, o estatuto de monumento dado pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas não é uma garantia para a conservação destas árvores, ressalva a bióloga, que refere que muitas “são votadas ao abandono ou sofrem atos de vandalismo ou negligência por desconhecimento”.
Doenças, pragas, podas não autorizadas e incêndios são outras ameaças à sobrevivência desses monumentos, aponta a bióloga.
Além disso, há ainda muito trabalho a fazer no campo da classificação, pois 131 dos 278 concelhos de Portugal Continental, ou seja, quase metade, “não apresenta qualquer exemplar arbóreo classificado”.
Assim, além de recolher toda a informação disponível sobre o arvoredo de interesse público em Portugal Continental, analisando o estado em que se encontram estes exemplares, Raquel quer também averiguar sobre outros possíveis candidatos merecedores da mesma classificação.
Trabalhar com as autarquias é outro dos objectivos do projecto, que inclui a aplicação de um questionário a 100 municípios da Região de Turismo do Centro, sobre as estratégias de comunicação que praticam quanto às árvores monumentais. A ideia é também propor novas abordagens.
Raquel está aliás a desenvolver algumas acções de promoção, informação e divulgação deste património natural, em conjunto com autarquias. Em cima da mesa está, por exemplo, a constituição de roteiros botânicos.
“Só cidadãos informados poderão ser corresponsáveis pela salvaguarda do património arbóreo monumental, no exercício da sua função participativa”, salienta a bióloga.

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