A árvore suporte do mundo no espaço urbano




A árvore da cidade e as "cidades" das árvores - as florestas

"Mas a ÁRVORE da Cidade não nasceu na cidade porque a cidade, mesmo com os seus 6 mil anos, é posterior, como tudo o que o homem fez, porque a árvore é o ser mais velho da terra, sustentáculo do mundo e da vida."

A Árvore faz parte de conjuntos maiores denominados Associações e Alianças (sistemas fitossociológicos), mais comumente designados por ecossistemas. Como se a árvore fosse deles a semente que lhes vai dar origem e abrigo a outras espécies vegetais e também os animais, num todo diferenciado de interdependência em interdependências maiores e globais, por regiões planetárias, distinguindo-se assim a floresta do frio e neve ou Boreal, da floresta equatorial e inter-tropical sua derivada e, por fim, a floresta da zona temperada, sobretudo do hemisfério norte de planícies úmidas e savanas, de áreas montanhosas e grandes vales, área e riqueza consumidas ao longo de milênios para se implantar a Ecúmena (20-40ºN). Onde é maior a variabilidade de solos e de climas, de fauna e de flora, o Paraíso do homem, o Hemisfério Norte com as Zonas Temperada Quente e Temperada Fria.



Para quem se interessar pela árvore em Portugal e os ecossistemas naturais que determinam, adquira o livro simples e bem sistematizado - A Árvore - de autoria de Francisco Caldeira Cabral e Gonçalo Ribeiro Telles.

O espaço nacional possui verdadeiras raridades mundiais, como é o caso do complexo vegetal da Serra da Arrábida, recentemente classificado como Parque Natural e fazendo parte da Rede Natura e da Biosfera, para preservação dos vestígios da floresta mediterrânica. No entanto, o local escolhido pelos decisores, para extração de pedras com dinamite para construção da Expo-98 e do complexo urbano que se lhe seguiu (implantado no leito de máxima cheia do Tejo) acabaram privatizando o espaço público e entaipando o rio que já não pode ser usufruído como paisagem, ignorando-se completamente os princípios de ética da natureza e direitos colectivos ao patrimônio natural global de direito público.

Em contrapartida, ainda se conseguiu salvar, outra raridade igualmente única no mundo, a formação florestal denominada Laurisilva (de Laurus-loureiro + silva-floresta) existente na Ilha da Madeira nas grandes altitudes. Floresta higrofila da região sub-tropical úmida com quase 15 mil hectares, ricos em espécies, todas perenes como o Till e Vinhático (sempre usados para o magnífico mobiliário de igrejas e conventos e para os mais delicados desenhos de talha), para além do Barbuzano, Cedro da Madeira e loureiro que bem conhecemos no nosso cotidiano. Floresta com a particularidade de ser de folha perene nas árvores e arbustos, fetos e musgos, líquenes e plantas endêmicas, numa massa densa em todos os seus "andares" (perfil da floresta).

Esta reserva gigantesca do Conselho da Europa apenas desde 1992, patrimônio UNESCO desde Dezembro de 1999, é reserva de valor não apenas botânico, mas de turismo de lazer e científico. Algumas das "jóias da coroa do patrimônio natural" que só muito tardiamente se protegeu por imposição de Diretivas da UE sobre Aves e Habitats Selvagens .


"Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores
É preciso também não ter filosofia nenhuma
Com filosofia não há arvores - há ideias apenas
Há só cada um de nós, como uma cave
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela"

Filosofia de janela fechada
Alberto Caeiro, 1925

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